PM que atirou em ato pró-Lula já teve porte de arma suspenso

Manoel Messias dos Santos, sargento da Polícia Militar de Sergipe
Manoel Messias dos Santos, sargento da Polícia Militar de Sergipe. Foto: Reprodução

O 1º sargento da Polícia Militar de Sergipe Manoel Messias dos Santos, apontado como autor de um disparo para o alto durante um ato pró-Lula na Universidade Federal de Sergipe (UFS), teve a posse e o porte de armas suspensos pela Justiça em 2024. A decisão atendeu a um pedido de medidas protetivas feito pela então companheira do policial, que relatou ameaças de morte.

As medidas deixaram de valer em novembro de 2025, quando a mulher comunicou à Justiça que não desejava mantê-las. O processo tramitou no 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Aracaju.

Na decisão de 2024, a Justiça também determinou que Messias saísse da residência onde vivia com a companheira e os filhos, sem se aproximar dela ou fazer contato por qualquer meio. Em outubro daquele ano, ele entregou duas pistolas, sete carregadores e quase 70 munições ao comando da 6ª Companhia Independente, em cumprimento à ordem judicial.

A mulher afirmou que manteve um relacionamento de cerca de 15 anos com o sargento e relatou episódios de intimidação com armas, sobretudo quando ele consumia bebidas alcoólicas. Em um dos casos narrados, ela disse que o policial ameaçou matá-la e levou a mão à arma que carregava na cintura; a filha menor do casal teria se colocado entre os dois.

O juiz que determinou as medidas protetivas escreveu que “o risco à integridade física da vítima é concreto e notório”, em razão das ameaças e do acesso do policial a armas de fogo. A decisão tratou das acusações apresentadas pela então companheira no processo de violência doméstica.

A PM afastou Messias das atividades de rua nesta sexta-feira (9), um dia após o episódio diante do campus da UFS. A corporação recolheu a arma usada pelo policial, e a Secretaria da Segurança Pública de Sergipe mandou a Corregedoria abrir uma apuração administrativa.

A perícia fará exame residuográfico para verificar a presença de resíduos de disparo de arma de fogo. A Polícia Civil também abriu inquérito para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, registrada enquanto o sargento estava de folga.

O ato havia sido convocado pelo diretório estudantil da UFS para discutir políticas públicas, o cenário eleitoral e a participação dos jovens na democracia. Testemunhas disseram que o policial chegou em um Fiat Siena prata, xingou manifestantes, disparou para o alto e deixou o local; o carro tinha adesivos de apoio a Flávio Bolsonaro. Não houve feridos, mas estudantes relataram machucados e perda de objetos durante a correria.

O Diretório Central dos Estudantes da UFS e a União Nacional dos Estudantes repudiaram o caso. A universidade declarou que colaborará com as autoridades e condenou “qualquer forma de violência ou intimidação, independentemente de orientação política”. O secretário da Segurança Pública, João Eloy, afirmou que a pasta não compactua “com condutas que contrariem a legalidade e os princípios que orientam a atuação das forças de segurança”.

Messias ingressou na PM sergipana em 1990. Ele também respondeu a um inquérito em 2019 sobre o extravio de um colete antibalístico do Presídio Militar, onde atuava no setor administrativo, mas o caso acabou arquivado por falta de indícios suficientes de autoria. Procurado, o sargento não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens enviadas.

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