PF faz aceno a Flávio Bolsonaro ao arquivar caso sobre interferência dos EUA na eleição

Andrei Rodrigues; Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump na Casa Branca. Fotos: José Cruz/Agência Brasil e Reprodução/Redes sociais

A Polícia Federal (PF) arquivou na quarta-feira (7) o pedido de investigação sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. Segundo reportagem de Roseann Kennedy, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a decisão foi tomada pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, em meio à preocupação com os efeitos políticos de uma eventual apuração.

De acordo com a colunista, a medida também buscou evitar que a oposição sustentasse a tese de um suposto “golpe judicial” articulado pelo governo Lula em conjunto com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para impedir uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.

A discussão ganhou força no domingo (4), quando Andrei Rodrigues anunciou a abertura de um procedimento para verificar possíveis interferências externas no processo eleitoral. Horas depois, a divulgação do resultado do primeiro turno, que apontou Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, levou aliados do senador a alertar para a possibilidade de uma reação institucional contra o candidato.

Conforme a apuração, a expressão “golpe judicial” passou a circular em conversas reservadas no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na terça-feira (6), Rodrigues foi chamado para uma reunião no gabinete de Alexandre de Moraes, realizada fora da agenda oficial.

Durante o encontro, os participantes avaliaram que não havia elementos de sustentação para a investigação por parte do TSE, da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou dos observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA). A continuidade do caso poderia ampliar o desgaste do Supremo, sobretudo entre os ministros associados ao governo Lula.

Nesse cenário, a reportagem aponta que integrantes das instituições passaram a considerar a necessidade de estabelecer canais de diálogo com Flávio Bolsonaro. Procurado por meio de sua assessoria, Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o assunto.

O pedido arquivado havia sido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU). Em documento assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, o órgão solicitou a apuração de uma possível participação financeira do governo de Donald Trump no apoio à direita brasileira.

A representação da AGU teve como base uma reportagem do jornal britânico The Guardian, que mencionou a suspeita de financiamento. A Polícia Federal, no entanto, confirmou o arquivamento do pedido na quarta-feira (7), encerrando essa iniciativa de investigação.

 

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