
O Brasil vai às urnas neste domingo, 4 de outubro de 2026, com um retrato quase idêntico ao de 2022. A média das pesquisas Quaest e Datafolha divulgadas no sábado, 3 de outubro de 2026, dá a Lula 45,9% dos votos válidos no primeiro turno, contra 43,6% de Flávio Bolsonaro.
Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral contou 48,4% para Lula e 43,2% para Jair Bolsonaro no primeiro turno. O filho aparece 0,4 ponto acima do pai, e o presidente, 2,5 pontos abaixo da própria marca.
Os números de 2026 usados aqui resultam da média simples entre Quaest e Datafolha, sempre em votos válidos, a mesma régua do tribunal. Onde só um dos institutos pesquisou, vale o número dele.
Lula e Flávio no 1º turno, 2022 e 2026, em votos válidos

A vantagem de 5,2 pontos de Lula em 2022 equivaleu a 6,2 milhões de votos. Os 2,3 pontos da média de 2026 representam cerca de 2,7 milhões, caso o total de votos válidos repita o daquela eleição.
Parte da diferença de Lula se explica pelo tamanho da concorrência. Os demais candidatos somaram 8,4% dos válidos em 2022 e alcançam 10,5% na média de 2026, com Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos à frente desse grupo.
No segundo turno, a semelhança persiste. Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,9% a 49,1% em 2022, e a média de 2026 registra Flávio com 50,4% e Lula com 49,6%.
O empate vem da média, e os institutos divergem sobre quem lidera. No sábado, 3 de outubro de 2026, o Datafolha mostrou Lula um ponto à frente no segundo turno, enquanto a Quaest deu a Flávio 2,4 pontos de vantagem.
Lula e Flávio no 2º turno, 2022 e 2026, em votos válidos

Onde Flávio rende menos que o pai
São Paulo oferece o exemplo de maior peso. Jair Bolsonaro teve 47,7% dos válidos paulistas no primeiro turno de 2022, e Flávio marca 45,7% na média de Quaest e Datafolha.
No Rio de Janeiro, berço político da família, o recuo vai de 51,1% para 48,8%. Em Minas Gerais, o senador registra 41,5%, contra 43,6% do pai em 2022.
Goiás traz a maior queda, puxada por um fator local. Flávio tem 37,9% na Quaest de 24 de setembro de 2026, bem abaixo dos 52,2% de Jair, porque o goiano Ronaldo Caiado leva 26,4% dos votos válidos do estado.
O Rio Grande do Sul segue o mesmo desenho, com 46,1% para Flávio diante de 48,9% do pai. Paraná, Espírito Santo e Distrito Federal mostram perdas semelhantes.
Onde Lula avança e onde recua
Pernambuco concentra o principal ganho do presidente. Lula sobe de 65,3% em 2022 para 67,3% na média das duas pesquisas e abre 41,9 pontos sobre Flávio.
O petista perde alguma altura em outros estados nordestinos. O Piauí sai de 74,3% para 66,7%, a Bahia passa de 69,7% para 65,2% e o Maranhão desce de 68,8% para 64,8%.
Flávio supera o pai nessa mesma região. Chega a 24,7% no Piauí, onde Jair teve 19,9%, e a 25,8% na Bahia, onde o ex-presidente obteve 24,3%.
Nenhuma dessas oscilações troca o vencedor de lugar. Lula lidera o primeiro turno nos mesmos 14 estados em que venceu em 2022, com vantagem acima de 30 pontos em oito dos nove estados do Nordeste.
O ajuste da urna
Os números estaduais também saem de média ou de um único instituto, e pesquisa estadual carrega margem de erro maior que a nacional. A urna de 2022 corrigiu parte dessas distâncias na última hora.
Jair Bolsonaro saiu do primeiro turno com mais votos do que as pesquisas da véspera indicavam, sobretudo em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Sul. A aposta desta coluna prevê movimento parecido em 2026, com Flávio ganhando fôlego nos estados bolsonaristas e Lula nos estados lulistas.
Um ajuste tende a neutralizar o outro. O resultado nacional ficaria em linha com a média das pesquisas, com Flávio ligeiramente acima dos 43,2% do pai e Lula perto dos 48,4% de 2022.
A eleição de 2026 chega às seções eleitorais como um terceiro turno de 2022, com o país dividido quase ao meio pela segunda vez. Quatro anos de governo, uma campanha inteira e a troca do pai pelo filho na cabeça da chapa mexeram pouco nessa balança.
Se as urnas confirmarem a média das pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro saem deste domingo diante de um resultado muito parecido com o do primeiro turno de 2022.
A apuração começa às 17h, no horário de Brasília. Segura, coração.
Originalmente publicado em O Cafezinho