
A Mical Invest, empresa de Mariana Barbosa, mulher do candidato do PL ao governo do Rio Douglas Ruas, participa de um empreendimento imobiliário estimado em R$ 58 milhões em São Gonçalo. O projeto prevê a construção do condomínio “Águas da Mata”, com 620 apartamentos, e recebeu licença ambiental municipal após apresentar previsão de derrubada de 659 árvores.
Mariana comprou em janeiro de 2026 uma área de 20.628 metros quadrados, formada por três lotes que custaram R$ 750 mil. Ela reuniu os terrenos em uma única área e protocolou, em março, o pedido para construir o condomínio.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente aprovou a solicitação em maio. O licenciamento apareceu no Diário Oficial do município em junho. O prefeito de São Gonçalo é Capitão Nelson, pai de Douglas Ruas.
Em 12 de junho, Mariana vendeu o terreno consolidado por R$ 235 mil à SG01 Incorporação Imobiliária SPE. Criada em março de 2026 para executar o projeto, a empresa tem a Mical Invest e a construtora Up Inc. como sócias.

Condomínio terá 31 blocos e apartamentos anunciados a R$ 191 mil
O “Águas da Mata” terá 31 blocos de cinco andares, com quatro apartamentos em cada pavimento. As unidades terão dois quartos, sala de dois ambientes, banheiro, cozinha americana e varanda, segundo informações da construtora. O plano também inclui academia, playground e salão de festas.
O empreendimento está em fase de registro na Caixa Econômica Federal e prevê a venda de cada imóvel por R$ 191 mil. Com 620 unidades, a receita potencial da parceria chega a R$ 118 milhões. A obra busca enquadramento no Minha Casa, Minha Vida e será comercializada na modalidade mercado, voltada a famílias de classe média.
A Up Inc. já atua em outros dois condomínios do programa habitacional em São Gonçalo, chamados “Águas do Bosque” e “Águas de Lisboa”. Um estudo de impacto de vizinhança elaborado em 2021 pelas empresas Via Sul e Futura Empreendimentos já previa o “Águas da Mata”, mas o projeto não avançou naquela ocasião. Na época, a estimativa de custo era de R$ 38,8 milhões.
Em nota, a Mical Invest afirmou que atua “unicamente como permutante” e que a Up Inc. responde pelos custos da construção, pelos trâmites de regularização e pela busca de financiamento na Caixa. A empresa disse que receberá futuramente uma parte dos recursos arrecadados pela construtora com as vendas, sem informar o percentual. Douglas Ruas declarou que as operações ocorreram de forma “absolutamente regular e transparente por duas empresas privadas”.