Os Legados Controversos de Flávio Bolsonaro

O ditado popular “quando o diabo não vem, manda o secretário” é bastante pertinente para discutir as recentes afirmações do Secretário de Flávio Bolsonaro, o empresário Pablo Marçal. Aproveitando os dados atuais das pesquisas de intenção de voto para a presidência, ele fez alarde sobre a suposta invencibilidade de seu chefe.

De fato, Pablo Marçal, na posição de secretário daquele que não compareceu, se destacou ao se afundar em um mar de ideias desconexas para justificar Flávio Bolsonaro.

Conforme Pablo Marçal mencionou em uma entrevista ao Metrópoles (14.04.2026), ele acredita que Lula, para vencer as eleições presidenciais, pode articular a libertação de Jair Bolsonaro, já que este seria o único candidato capaz de ser derrotado pelo petista.

Então, é isso que o Secretário de Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal, faz ao sugerir publicamente o que seus oponentes políticos deveriam fazer para vencer a eleição na qual, na verdade, ele, o secretário do mencionado, se envolve para ajudar a derrotar esses mesmos adversários que ele supõe administrar bons conselhos?

Que confusão! Que contradição! Que eloquência insensata essa do secretário do mal! Como pode Pablo Marçal secretariar o diabo e, ao mesmo tempo, oferecer a estratégia para vencê-lo, enquanto, na verdade, deseja que o invertido triunfe?

Pablo Marçal despeja um monte de ilações completamente sem sentido e, mais ainda, tão desagradáveis e descartáveis quanto seu desprezível conselho. Mesmo como Secretário de Flávio Bolsonaro, ele pretende dar a receita para a vitória de Lula nas eleições de 2026.

Ora, ora, ora.

Primeiro: apenas Pablo Marçal pode almejar o feito de querer ser a favor e contra ao mesmo tempo.

Segundo: será que esse secretário dos diabos pensa que somos ingênuos em política a ponto de sugerir que se perdoe Jair Bolsonaro para viabilizá-lo eleitoralmente, a fim de derrotá-lo nas urnas e, diante dessa hipótese completamente surreal, ainda cogitar que alguém possa aceitar uma alternativa tão indecente?

Terceiro: é necessário colocar Pablo Marçal em seu devido lugar e informá-lo que sua mentoria é irrelevante para nós, especialmente no que diz respeito a táticas e estratégias eleitorais.

Aliás, será que Pablo Marçal ainda não percebeu que Jair Bolsonaro, na condição de delinquente, envolvido em uma recente aventura autoritária, em conluio com uma quadrilha, tentou assassinar o Estado Democrático de Direito e foi, por isso, exemplarmente punido? Será que Pablo Marçal não assimilou essa parte da nossa história?

E que Jair Bolsonaro foi punido pelas instituições democráticas, que em forte repulsa à sua conduta não só criminosa, mas também antipatriótica, optou por se defender e, assim, não conceder anistia ao celerado. Será que Pablo Marçal ainda não compreendeu o básico do que é correto e justo?

Então, será que Pablo Marçal não entendeu que Jair Bolsonaro foi colocado em seu devido lugar: a prisão (e que a prisão domiciliar é, hoje, apenas a ante-sala do que virá a ser, em breve, seu verdadeiro lar e destino definitivo: a cadeia)?

E mais, que saiba o secretário do capiroto, que nem o PT, nem as forças democráticas e progressistas temem quem quer que seja o adversário em qualquer pleito.

Que em seu secretariado, Pablo Marçal aprenda que não temos preferências por adversários. Que seja quem for será bem-vindo para ser enfrentado com energia e coragem vibrante.

Que nem Caiado, nem Zema, nem Flávio, que fosse Jair, nenhum deles é preferível aos demais, pois, sendo igualmente inimigos da democracia, serão igualmente combatidos. O fascismo pode ter várias faces, mas o método será sempre o mesmo: autoritário e praticante da necropolítica, decidindo quem deve viver e quem deve morrer. E isso, nós combatemos intensamente.

Assim, uma vez que tudo indica que Flávio Bolsonaro será o candidato à presidência, saiba Flávio Bolsonaro e sua equipe, por meio de seu secretário, Pablo Marçal, que não terão uma campanha fácil. O elo que o une a Jair Bolsonaro é, antes de tudo, genético, e, com isso, herdou do pai o negacionismo que custou 700 mil vidas pela omissão, descaso e negligência no combate à Covid-19.

E mais. A gestão desastrosa de Jair Bolsonaro (que, entre outras coisas, lançou pessoas na fila de espera para se alimentarem de ossos) pretende ser como um bastão passado para o filho, que seria nada mais do que um sucessor dos insucessos do pai, trazendo ainda mais sofrimento para a população.

Ora, ora, ora. Se “filho de peixe, peixinho é”, evidencia-se que Flávio Bolsonaro executaria a mera continuidade do governo do pai. Seria mais do mesmo. A repetição do inferno e da confusão autoritária que se abateu sobre nossa pátria.

Flávio Bolsonaro continuaria a tensionar os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) com o objetivo de gerar o caos institucional, visando legitimar uma ditadura.

Flávio Bolsonaro iniciaria uma nova guerra contra o Judiciário, criando instabilidade institucional, a perspectiva de uma nova tentativa de ruptura das instituições democráticas e incendiaria o esforço por uma pacificação nacional, mergulhando o país em um caos político, econômico e social permanente.

Flávio Bolsonaro voltaria a incentivar o armamento da população, incitando um apocalipse de guerra civil, o que, por sua vez, levaria a uma nova escalada de violência sem precedentes, por meio da disseminação da intolerância e da perseguição e execução física de adversários políticos.

Tais práticas políticas condenáveis retornariam não apenas pelo laço consanguíneo que Flávio Bolsonaro representa, mas também porque ele herda de Jair a concepção de mundo moldada em valores que priorizam a força, o poder e a dominação a qualquer custo.

Ora, ora, ora. Contudo, desta herança maldita, nós podemos – já vacinados que estamos – escapar incólumes.

Consequentemente, pergunto: Será que Pablo Marçal não percebeu que é cedo, muito cedo, para dar como certa a vitória daquele que secretaria?

Será que o secretário e empresário Pablo Marçal não abandonou esse pretenso triunfalismo vazio e não percebeu que ainda há uma disputa pela frente? Será que Pablo Marçal não considerou que o povo brasileiro pode optar por não assistir ao replay do terror que pairou sobre nossas cabeças até ontem?

Que a hipotética vitória de Flávio Bolsonaro, celebrada aos quatro ventos e antecipadamente evidenciada pela empolgação de seu séquito, talvez não dure muito, de modo que, no momento oportuno, não se permita que essa efusão se converta em pretexto para uma nova insurgência autoritária após um desfecho que contrarie as expectativas pretendidas.

Até porque concorrer a um cargo eletivo não assegura, necessariamente, a vitória. A vitória, assim como a derrota, são resultados possíveis no tabuleiro do jogo democrático, e a alternância de poder é uma probabilidade democrática razoável, fazendo parte da disputa em sociedades governadas pelo voto direto da população, aspectos esses rejeitados pela extrema-direita.

Assim, não apenas o secretário do diabo, mas o próprio invertido, o capiroto, deve entender que parte do país fará a mudança de sua escolha atual quando estiver diante da urna, no último momento, optando, naquele instante crucial em que o eleitor se encontra sozinho consigo mesmo, isto é, com sua própria consciência. E ali, felizmente – apesar de toda fake news e do desserviço da grande imprensa – decidirá mudar sua convicção e não trocar o certo pelo duvidoso, nem querer que o país arda em chamas, pois o retorno do inferno entre nós, mais cedo ou mais tarde, mostrará não ser benéfico a ninguém, sendo prejudicial a todos.

Logo, combater sem tréguas a banalidade do mal e acreditar que contando nossa narrativa – até os mais resistentes, mesmo diante da urna – podem e devem alterar sua convicção, pois todos, juntos, de mãos dadas, podemos impedir que a detestável herança maldita carregada e defendida por Flávio Bolsonaro nunca mais volte a assombrar, incomodar, maltratar e infernizar o Brasil.

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