
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa nesta terça-feira (22) na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, após chamar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “imperador” em entrevista à CNN Internacional. O governo brasileiro espera que os dois se encontrem presencialmente após a fala do petista.
Um eventual encontro ocorreria em meio ao tarifaço de 37,5% aplicado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros em julho. Lula e Trump não se reúnem presencialmente desde maio, quando o brasileiro visitou a Casa Branca.
Na entrevista à jornalista Christiane Amanpour, Lula disse que pode acionar a Lei de Reciprocidade Econômica caso Washington não feche um acordo comercial com o Brasil. Ele também afirmou desconfiar da atuação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na disputa eleitoral brasileira em favor da família Bolsonaro.
“Eu gosto de respeitar e de ser respeitado”, disse Lula. Ao comentar a relação bilateral, o presidente afirmou que Trump tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não de “governar outros países” ou impor sua vontade.

Soberania e crise do multilateralismo devem entrar no discurso
Lula deve defender na ONU a soberania brasileira nos campos econômico, eleitoral e militar. A fala também deve abordar a reforma do Conselho de Segurança, o aumento da pobreza, a corrida armamentista e o enfraquecimento do multilateralismo.
No ano passado, Trump surpreendeu integrantes de sua própria delegação ao dizer, durante a Assembleia-Geral, que tinha “química” com Lula. Os presidentes haviam se cumprimentado brevemente nos bastidores do encontro em Nova York.
O presidente brasileiro também pretende abordar o combate às facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital. O governo dos Estados Unidos classificou os dois grupos como organizações terroristas em maio, medida que gerou preocupação no Planalto diante de críticas estadunidenses à política brasileira de segurança.
Ao falar sobre a Venezuela, Lula criticou operações militares dos Estados Unidos contra embarcações no Caribe. “Se havia tráfico de drogas na Venezuela, prendam os traficantes. Mas mataram muitas pessoas naqueles barcos e não apresentaram nenhuma prova de que aqueles barcos transportavam traficantes”, afirmou à CNN Internacional. Lula tem retorno previsto a Brasília ainda nesta terça-feira, por volta do meio-dia.