
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou sua influência no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) por sua proximidade com conselheiros que chegaram ao órgão durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, quatro dos sete integrantes do tribunal — Maxwell Borges de Moura Vieira, Wagner Rosário, Marco Aurélio Bertaiolli e Carlos Cezar — mantêm alinhamento com Mendonça e também com o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Maxwell Borges ocupou uma vaga no TCE-SP por indicação da Assembleia Legislativa de São Paulo, após articulação de Mendonça. Os dois se aproximaram quando o ministro atuava na Advocacia-Geral da União, e Borges ajudou Mendonça na preparação para a sabatina no Senado que antecedeu sua posse no STF.
Em julho de 2025, Borges divulgou em seu perfil fechado no Instagram cursos e eventos do Instituto Iter, criado por Mendonça. O conselheiro participou da promoção das atividades da entidade nas redes sociais.

Relações com Cezinha e encontro com Vorcaro
Wagner Rosário trabalhou com Mendonça na Controladoria-Geral da União. Rosário comandou a CGU entre 2016 e 2018, período em que o atual ministro do STF exerceu a função de assessor especial no órgão.
Marco Aurélio Bertaiolli e Carlos Cezar integraram o mesmo grupo político de Cezinha de Madureira. Bertaiolli e Cezinha elegeram-se deputados federais pelo PSD em 2018; Cezinha migrou para o PL em 2026. Antes de chegar à Câmara, ele atuou na Assembleia paulista e liderou, ao lado de Carlos Cezar, a frente parlamentar evangélica.
Cezinha intermediou um encontro entre Mendonça e o banqueiro Daniel Vorcaro, em São Paulo, em 14 de março de 2025. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro apontaram a reunião, realizada quando o ministro estava na capital para a posse de Maxwell Borges no TCE-SP.
A disputa entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes já alcançou o Tribunal de Contas paulista. Na quarta-feira (16), o ex-presidente Michel Temer (MDB), que indicou Moraes ao STF, almoçou no tribunal com aliados de Mendonça para discutir formas de reduzir a tensão entre os dois integrantes da Corte.