
O New York Times avaliou que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT) no segundo turno de 25 de outubro daria a Donald Trump um aliado “crucial” na América Latina e praticamente completaria o mapa de governos alinhados aos Estados Unidos na região.
Para o jornal americano, o Brasil é a principal peça que falta à lista de aliados de Trump por ser o maior país latino-americano em população, território e economia. A publicação afirma que a esquerda mantém governos apenas no México e no Uruguai entre os países da região.
A análise associa a possível eleição de Flávio Bolsonaro à estratégia do governo Trump de ampliar sua influência política, econômica e militar sobre países latino-americanos. O diário cita tarifas, sanções, revogações de vistos e intervenções eleitorais entre as medidas adotadas por Washington.

O texto também menciona o bloqueio de petróleo a Cuba e a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos. O New York Times classificou essa ofensiva como a versão mais agressiva da Doutrina Monroe adotada por Trump.
Segurança e coalizão contra cartéis estão no centro da estratégia
O jornal aponta que a combinação entre a política de Trump e o avanço da direita na América Latina tem produzido mudanças especialmente na área de segurança. A Casa Branca colocou uma nova guerra às drogas entre suas prioridades na região e equiparou o combate aos cartéis à guerra contra o terror no Oriente Médio.
A reportagem cita a classificação de grupos criminosos como organizações terroristas e ataques a embarcações de suspeitos de tráfico em águas latino-americanas. Especialistas ouvidos pelo jornal consideram ilegais os bombardeios contra essas embarcações.
Dezoito países aderiram a uma coalizão liderada pelos Estados Unidos contra os cartéis. Colômbia, Guatemala, Honduras e Equador aceitaram realizar operações militares conjuntas com o Pentágono, segundo o levantamento citado pelo diário.
Flávio Bolsonaro já indicou que pretende aderir à coalizão Escudo das Américas e pressionou pela classificação de facções brasileiras como organizações terroristas. O New York Times questiona se a articulação anticartel produzirá resultados e quais efeitos uma cooperação desse porte teria para a soberania dos países latino-americanos diante da diferença de poder entre Washington e seus parceiros.