Em uma decisão arbitrária que favorece a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, atropelou a determinação do corregedor-geral eleitoral e determinou a suspensão imediata do canal “Exército do Lula” no WhatsApp.
A medida, que silencia a voz de 3,3 milhões de eleitores, foi tomada com uma celeridade fora do comum, atendendo integralmente e em tempo recorde aos anseios da oposição.
Atropelamento processual e celeridade suspeita
A manobra de Nunes Marques, ministro indicado por Jair Bolsonaro, ocorreu apenas um dia após o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, estabelecer um rito de cautela e respeito ao contraditório. No sábado (10), Cueva havia determinado que Flávio Bolsonaro apresentasse, em 72 horas, esclarecimentos e provas concretas antes que qualquer medida drástica fosse tomada. O corregedor exigiu que a campanha de Flávio especificasse as supostas irregularidades e entregasse os arquivos digitais originais, garantindo o direito de defesa de Lula, Alckmin e Janones.
Nunes Marques, no entanto, ignorou a tramitação regimental. No domingo (11), o presidente do TSE determinou que o WhatsApp suspendesse o canal no prazo exíguo de três horas após a notificação. A suspensão valerá até a homologação do resultado do segundo turno, o que representa uma censura prévia que priva a campanha de Lula de sua principal ferramenta de mobilização orgânica durante os 14 dias mais decisivos da eleição. Enquanto a Justiça Eleitoral costuma exigir provas robustas para cassar direitos políticos, Kassio agiu com urgência inédita para atender a um pedido da extrema direita.
Censura à mobilização popular e reação de Janones
O canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), é uma das apostas da campanha para organizar a tropa digital no segundo turno. Com mais de 3,3 milhões de usuários, a ferramenta permite a distribuição de “missões” de compartilhamento e a articulação direta com a base.
Janones classificou a decisão de Kassio como censura pura e simples. “A censura já começou, mas eles vão sentir agora a força de três milhões e trezentas mil pessoas unidas. Nós não vamos nos calar, nós vamos continuar”, afirmou o deputado nas redes sociais.
Ele ainda anunciou que migrará a mobilização para uma comunidade no Instagram e denunciou que a decisão também busca impedi-lo de criar novos canais, uma medida que ele qualificou como “sem justificativa”. “Vocês venceram a batalha, mas a guerra não venceram”, desafiou.
“Demonstração de medo”, diz ministro do TSE
A ação da campanha de Flávio Bolsonaro também foi criticada internamente pelo próprio TSE. O ministro Sidônio Palmeira, em conversa com a imprensa antes da decisão de Kassio, classificou o pedido da oposição como um “grande absurdo” e uma clara “demonstração de medo” diante da capacidade de articulação digital de Janones.
Palmeira ressaltou que a desproporção da pena — o silenciamento total de 3,3 milhões de pessoas — revela o verdadeiro objetivo da manobra: destruir a capilaridade da campanha adversária.
Assimetria digital e o favorecimento à extrema direita
A decisão de Nunes Marques se soma a um histórico de assimetria digital que tem prejudicado a campanha de Lula. Enquanto o TSE age com rigor sumário para derrubar canais de mobilização orgânica pró-Lula, a Justiça Eleitoral ainda engatinha na investigação de redes de bots e perfis automatizados que favorecem Flávio Bolsonaro — como a rede de 255 perfis que gerou 58 milhões de visualizações, alvo de outra ação no TSE.
Além de derrubar o canal, Kassio determinou que a Meta apresente em 48 horas um relatório das mensagens publicadas e instaurou um regime de supervisão regulatória direta sobre a plataforma. Embora a medida de fiscalização sobre a Meta seja necessária, ela não apaga o fato de que o presidente do TSE optou por atropelar o corregedor para entregar uma vitória imediata e estrondosa à campanha de Flávio Bolsonaro, cerceando o debate democrático e a mobilização popular às vésperas do pleito.