Nos EUA, Tennessee suspende execuções após mulher sobreviver a duas injeções letais

Christa Pike durante seu julgamento. Foto: reprodução

O governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções no estado depois que uma tentativa de executar Christa Pike, de 50 anos, terminou com a condenada ainda viva após receber duas doses de pentobarbital. Segundo seu advogado, ela foi hospitalizada em estado crítico e recebe cuidados médicos para permanecer viva.

A execução ocorreu na noite de quarta-feira na penitenciária de segurança máxima Riverbend, em Nashville. Pike permaneceu viva e chegou a ser ouvida roncando cerca de 40 minutos depois da aplicação da droga que deveria provocar sua morte rapidamente. O episódio levou o governador republicano a determinar uma investigação independente.

“É profundamente perturbador que isso tenha acontecido neste estado. As pessoas merecem algo melhor”, afirmou Lee. A suspensão das execuções valerá pelo menos até o fim do ano.

Randy Spivey, um dos advogados de Pike, afirmou nesta quinta-feira que ainda não havia informações precisas sobre o prognóstico da cliente. “Sabemos que ela está viva neste momento e recebendo cuidados médicos para salvar sua vida”, declarou. “Ela está em estado crítico.”

Segundo Spivey, sete agulhas foram utilizadas durante o procedimento. Uma delas entortou quando foi retirada do braço da condenada. O advogado classificou a tentativa de execução como “cruel” e “torturante” e afirmou não ter presenciado atendimento médico para salvar Pike imediatamente depois de o procedimento ser interrompido, por volta das 20h25.

Pike recebeu duas doses de pentobarbital antes de ser retirada da penitenciária e levada a uma unidade médica. O protocolo do Tennessee prevê uma segunda série de seringas caso o preso continue vivo depois da primeira aplicação, mas não estabelece claramente o que deve ser feito se a pessoa permanecer viva após a segunda dose.

Christa Pike na época do crime. Foto: reprodução

Sete jornalistas acompanharam a tentativa de execução como testemunhas. Segundo seus relatos, Pike ainda roncava quando eles foram retirados da sala. “Parece que isso não aconteceu como deveria. Quando deixamos o prédio, pelo que sabíamos, ela provavelmente ainda estava viva”, relatou John North, da emissora WBIR.

Robin Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, classificou o episódio como excepcional. Segundo ela, existem registros de sete condenados que sobreviveram a problemas durante execuções porque as equipes não conseguiram obter acesso intravenoso adequado, mas não havia conhecimento de um caso em que uma pessoa continuasse viva depois de receber as drogas destinadas à execução.

“Esta tentativa fracassada é a pior que já vimos e diferente de qualquer outra execução malsucedida da era moderna”, afirmou Maher. Ela atribuiu o episódio, entre outros fatores, ao sigilo mantido pelas autoridades do Tennessee em torno dos procedimentos de execução.

O estado já havia enfrentado problemas meses antes. Em maio, a execução de Tony Carruthers foi cancelada depois que funcionários passaram mais de uma hora tentando, sem sucesso, instalar uma linha intravenosa em seu braço.

Christa Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de 200 anos. A tentativa só ocorreu depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, na noite de quarta-feira, uma suspensão determinada anteriormente por uma corte federal.

Os advogados de Pike recorreram novamente à Suprema Corte do Tennessee depois da aplicação da segunda dose de pentobarbital. Eles afirmaram que a condenada estava submetida a “agonia desnecessária” e argumentaram que o estado violava seu direito constitucional de não ser submetida a punição cruel e incomum.

O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que todos os passos previstos no protocolo estadual foram cumpridos. Segundo o órgão, o procedimento não autoriza medidas adicionais além das realizadas naquela noite.

Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos. O crime ocorreu em janeiro de 1995, quando Pike tinha 18 anos. Ela, o namorado Tadaryl Shipp e outra jovem torturaram e mataram Slemmer, colega deles no Knoxville Job Corps. O caso ganhou repercussão nacional pela brutalidade do crime e pela pouca idade dos envolvidos.

Pike nunca negou participação no assassinato e posteriormente recebeu diagnósticos de transtornos mentais. Em um pedido de clemência rejeitado pelas autoridades, afirmou: “Eu era uma garota de 18 anos com doença mental. Levei muitos anos até compreender a gravidade do que tinha feito”.

A decisão de Bill Lee também suspende a única outra execução prevista no Tennessee neste ano. Gary Wayne Sutton, no corredor da morte desde 1996 pelo assassinato de um amigo, tinha execução marcada para 3 de dezembro.

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