“Não se trata de votar no Lula ou no PT, mas na democracia. A outra opção é golpe”, diz José de Abreu à TV GGN

Em participação no TVGGN 20H desta quarta-feira (14), o ator e diretor José de Abreu, que vem mobilizando as redes sociais ao cobrar o posicionamento de colegas de profissão, fez um novo chamado à classe artística e à sociedade contra o avanço do fascismo no Brasil. Para ele, o pleito que opõe Luiz Inácio Lula da Silva a Flávio Bolsonaro não é uma disputa partidária comum, mas uma escolha decisiva entre a manutenção da democracia e o risco de uma ruptura institucional.

Com décadas de militância política, tendo sido preso durante a ditadura militar e participado ativamente da campanha das Diretas Já, Abreu tornou-se, nos últimos meses, uma das vozes mais firmes das redes sociais na defesa do regime democrático.

“Não se trata de votar no Lula ou no PT, mas na democracia. A outra opção é golpe. Não precisa falar de eleição, Lula e PT, falem sobre o que vocês acham do fascismo que está querendo tomar conta do país. O mundo está se posicionando contra o fascismo que está chegando ao Brasil. Vocês vão ficar parados olhando para a parede? Não me conformo com colegas omissos! A vida quer é coragem”, manifetsou o ator.

Trata-se de derrotar o fascismo

Para exemplificar a forma como vem atuando, Abreu dirigiu-se nominalmente a colegas de profissão que, segundo ele, ainda relutam em se manifestar. “Estou perplexo com alguns colegas que estão relutando em nos ajudar a vencer o fascismo. Giovanna Antonelli, cadê? Carolina Dieckmann, cadê esse pessoal? Danton? Eu fico meio indignado com esses meus colegas e amigos que não se posicionam numa hora dessas, é inacreditável, disse.

Coube ainda uma menção a Selton Mello, um dos protagonistas de Ainda Estou Aqui — filme sobre a ditadura militar que concorreu ao Oscar em 2025 e venceu na categoria de Melhor Filme Internacional —, que não teria se posicionado sobre o momento político atual. “Não é possível que uma pessoa como Selton Mello, que faz um filme a respeito da ditadura, não tenha se posicionado”, questionou.

O espaço nas redes

O papel das plataformas digitais nestas eleições também foi pauta da conversa. Apesar do controle exercido pelas big techs e da desinformação promovida pela extrema-direita, que tem impulsionado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), sobretudo após a censura ao canal do deputado André Janones (Rede-MG), o campo progressista conseguiu, de forma inédita, ocupar esse espaço de maneira orgânica e viral.

“Pela primeira vez na história, nós estamos ganhando nas redes sociais. Nós estamos dando um banho neles. É a primeira vez que a esquerda está na frente nas redes”, comparou.

A frase que se tornou sua marca nesta semana — “E não vai lutar contra o fascismo?” — nasceu justamente desse movimento. Abreu passou a comentar publicações de artistas com a pergunta, transformando a cobrança em um meme que ultrapassou o meio digital e ganhou as ruas.

“Foi uma coisa bem genérica que eu tinha visto da Ana Paula Renault, e ela foi muito inteligente, porque falou: ‘Não é votar no Lula ou votar no PT, claro, é votar na democracia porque a outra opção é golpe’”, relatou Abreu, ao revelar a origem do bordão.

O ator também comemorou o alcance expressivo de suas publicações nas redes digitais, destacando ter somado 31 milhões de visualizações no X (antigo Twitter) e 12 milhões no Instagram. O desempenho foi marcante sobretudo pela adesão do público jovem, já que 35% do alcance concentrou-se na faixa entre 18 e 24 anos e outros 30% entre 19 e 34 anos. O engajamento rendeu a ele o apelido de “vovô da internet”. “Eu não vejo a hora de passar o bastão. Eu fiz 80 anos esse ano. Todo mundo tá me chamando na internet de vovô”, brincou.

A importância das manifestações e do movimento estudantil

A entrevista também abordou a importância das manifestações de rua e do movimento estudantil neste momento. José de Abreu mencionou especificamente a mobilização na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, e destacou o papel da juventude na resistência ao autoritarismo, cenário que ganha ainda mais gravidade diante dos recentes ataques contra universidades públicas, a exemplo dos incêndios registrados na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 30 de setembro.

“Eu acompanhava o pessoal da UFF e vi quando disponibilizaram o link para a assembleia. Na segunda-feira, a faculdade inteira desceu em passeata; na terça, realizaram outro ato. Isso mostra a força de um movimento espontâneo que se espalhou na defesa da democracia. Essa participação da rapaziada dá aquela sensação de alívio. A gente já tem para quem passar o bastão. Ou seja, a nossa geração já sabe que a rapaziada tá aí para defender o Brasil, para defender a democracia.”

O ator, que afirmou estar em “plena psicose eleitoral” por acompanhar o noticiário 20 horas por dia, destacou a organização espontânea dos atos recentes, como o registrado na Avenida Paulista, no domingo, que reuniu mais de 1 milhão de manifestantes. “É horizontal, não é vertical, não vem da direção da campanha. A rapaziada descobriu e alastrou essa questão da defesa da democracia, da defesa da ciência. Foi fantástico”, afirmou.

Veja alguns memes do ator que repercutiram nas redes:

Assista a um trecho da entrevista abaixo:

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