Mulheres, Nordeste e baixa renda: quem puxa a reação de Lula contra Flávio, segundo nova pesquisa

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
 Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Reprodução

O empate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno é sustentado por uma vantagem expressiva do presidente entre mulheres, eleitores do Nordeste e famílias de menor renda. É o que mostram os recortes da pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta sexta-feira (16), que aponta os dois candidatos com 50% dos votos válidos.

Entre as mulheres, Lula aparece com 55% das intenções de voto, contra 39% de Flávio. Entre os homens, o cenário se inverte: o senador registra 56%, enquanto o presidente tem 39%.

A maior vantagem de Lula está no Nordeste, onde ele alcança 59%, ante 37% de Flávio. No Norte, o senador aparece numericamente à frente, com 51%, contra 45% do petista. No Sudeste, Flávio também lidera, por 48% a 44%.

Flávio abre vantagem maior no Sul, onde tem 57%, e no Centro-Oeste, com 54%. Lula aparece com 38% nas duas regiões. O empate nacional, portanto, é formado por bases eleitorais diferentes: o presidente concentra força entre mulheres, no Nordeste e entre eleitores de menor renda, enquanto o adversário registra desempenho superior entre homens e em parte das demais regiões.

Gráfico trás Lula com vantagem entre mulheres e no Nordeste, enquanto Flávio lidera entre homens e no Sul. Foto: Reprodução/PoderData

Lula lidera entre idosos e eleitores de menor renda

A pesquisa também mostra Lula à frente entre pessoas com 60 anos ou mais, por 51% a 43%. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, o petista tem 50%, contra 39% de Flávio. Na faixa de 25 a 44 anos, os dois aparecem próximos, com 46% para Lula e 49% para o senador. Entre 45 e 59 anos, Flávio marca 51%, ante 44% do presidente.

A renda familiar é outro recorte em que Lula se destaca entre os mais pobres. Na faixa de até dois salários mínimos, ele tem 52%, enquanto Flávio registra 40%. Entre famílias com renda de dois a cinco salários mínimos, o senador lidera por 53% a 42%. Acima de cinco salários mínimos, Flávio também aparece à frente, com 53%, contra 44% de Lula.

Por escolaridade, Lula aparece numericamente à frente entre eleitores com ensino fundamental, por 51% a 43%, e entre aqueles com ensino superior, por 50% a 46%. Flávio lidera entre os entrevistados com ensino médio, com 50%, ante 45% do presidente.

Os recortes mostram onde cada candidatura concentra maior apoio, mas não permitem identificar, por si só, quais grupos explicam a mudança registrada nas últimas rodadas. A pesquisa retrata a composição atual do eleitorado, sem medir a evolução individual de cada segmento ao longo do tempo.

Diferença caiu de seis pontos para zero

Gráfico de intenção de voto para presidente no 2° turno. Foto: Reprodução

No levantamento divulgado em 8 de outubro, Flávio tinha seis pontos de vantagem. Três dias antes da pesquisa atual, a diferença havia caído para dois pontos. Agora, Lula e Flávio aparecem empatados nos votos válidos.

No primeiro turno, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A vantagem de Flávio nas urnas foi de 1,87 ponto percentual.

A nova rodada foi realizada entre 13 e 15 de outubro. Parte das entrevistas ocorreu depois da aprovação definitiva do fim da escala 6×1 pelo Congresso, em 14 de outubro. A medida passou a integrar o discurso da campanha de Lula, mas o levantamento não permite afirmar que a votação tenha provocado a mudança nas intenções de voto. O presidente também anunciou a proposta de ônibus urbanos gratuitos aos fins de semana caso seja reeleito.

Apesar do empate nos votos válidos, 51% dos entrevistados afirmam acreditar que Flávio tem mais chance de vencer a eleição. Lula é apontado por 42%.

A rejeição ao presidente está em 46%, mesmo patamar registrado desde o primeiro turno. A de Flávio oscilou de 44% para 45% em três dias. Já a parcela que afirma que Lula é o “único em que votaria” passou de 42% para 44% no período.

A avaliação do presidente também permanece dividida: 47% desaprovam seu trabalho e 46% aprovam. A administração federal é desaprovada por 49% dos entrevistados e aprovada por 46%.

A pesquisa PoderData/Aya ouviu 3.000 pessoas em 644 municípios das 27 unidades da Federação, por telefone, entre 13 e 15 de outubro. A margem de erro do levantamento nacional é de 1,8 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04258/2026.

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