MPF cobra da Meta remoção de redes que promovem garimpo ilegal

Vila de garimpeiros em Itaituba (SP). Foto: Reprodução/Cristiano Mariz

O Ministério Público Federal acionou a Meta para cobrar mecanismos permanentes de identificação e remoção de conteúdos que promovem o garimpo ilegal no Facebook e no Instagram. A investigação encontrou publicações sobre recrutamento, venda de máquinas e mercúrio, técnicas de extração e monitoramento de operações do Ibama e da polícia na Amazônia, onde a atividade ocupa quase 100 mil hectares de áreas protegidas, segundo o Greenpeace. Com informações de O Globo.

O procurador da República André Luiz Porreca, responsável pela ação, afirma que todos os acampamentos de garimpo irregular, inclusive os mais remotos, contam atualmente com acesso à internet, sobretudo após a expansão da Starlink. A conexão permite que grupos avisem em tempo real sobre a aproximação de fiscais e agentes de segurança.

Porreca também identificou o chamado “garimpo ostentação”, no qual influenciadores exibem ouro, dinheiro, aviões, dragas e máquinas para apresentar a atividade como altamente lucrativa. “Existem verdadeiros influenciadores digitais que mostram essa atividade como altamente lucrativa, o que não é verdade”, afirmou. Segundo ele, operadores recebem, em média, de 3% a 7% do ouro extraído.

O MPF reuniu centenas de publicações feitas entre 2020 e 2026. Entre as páginas e comunidades citadas estão Ouro do Sonhador, com 76 mil seguidores, Fanáticos por Garimpo, com 37,7 mil, e Tudo sobre Garimpo, com 27,9 mil, além de grupos específicos voltados a cozinheiras e outros trabalhadores.

Promessas de renda e alertas contra a fiscalização

Perfis prometem ganhos de R$ 1 mil a R$ 2 mil por dia e atraem pessoas que procuram vagas como operadores de mangueira e motores, auxiliares de serviços gerais, pilotos, seguranças e cozinheiras. Outros anúncios oferecem escavadeiras, dragas, motores e mercúrio ou ensinam a produzir substâncias utilizadas na extração de metais.

A ação pede que a Meta adote ferramentas preventivas, em vez de retirar publicações apenas depois de notificações. A Justiça rejeitou a liminar que obrigaria a empresa a apresentar um plano e exibir avisos sobre a proibição desse conteúdo, e o procurador recorreu da decisão. A Meta informou que não comentaria o processo.

O procurador relaciona as redes do garimpo a facções criminosas que compartilham barcos, aviões e outras estruturas logísticas para transportar drogas, armas e equipamentos. A atuação também inclui contratação de seguranças, cobranças de taxas e lavagem de dinheiro. “Enfrentar o garimpo ilegal é enfrentar todos os crimes que o rondam, como o tráfico de mercúrio e o de armas e a lavagem de dinheiro”, disse Porreca.

O Ibama monitora essas comunidades virtuais e já usou informações publicadas para apreender equipamentos e aeronaves, mas os alertas dificultam as operações. Mateus Fumes, coordenador de Fiscalização da Flora do órgão, afirmou que a Starlink ampliou essa capacidade nos últimos três anos. O presidente do Ibama, Jair Schmitt, citou estimativas de até 200 mil pessoas no garimpo ilegal e declarou: “Não é a condição socioeconômica que legitima cometer crimes que prejudicam não só o meio ambiente, mas outras pessoas”.

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