‘Minha primeira obra será ajudar a recuperar o Rio de Janeiro’, diz Lula a Eduardo Paes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou a aliança com Eduardo Paes (PSD) como peça fundamental para recuperar o Rio de Janeiro e devolver segurança, serviços públicos e autoestima à população do estado. “O Paes não é apenas meu amigo, ele é uma necessidade para o povo do Rio de Janeiro”, afirmou Lula, neste sábado, 22, durante o primeiro comício de sua campanha na capital fluminense.

Realizado no estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste, o ato “O Rio Abraça Lula” reuniu o presidente, Paes e os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), além de lideranças dos partidos que compõem a aliança nacional e estadual. O local, construído ao lado da antiga Fábrica de Tecidos Bangu, carrega uma forte ligação com a história dos trabalhadores e do movimento operário carioca.

A união entre Lula e Paes, construída desde 2008, já resultou em parcerias importantes para a população. Para o presidente, a aproximação entre os dois mostra que a política exige capacidade de superar divergências pessoais e pensar nas necessidades da população.

“De vez em quando, a gente deixa de pensar no todo, pensa apenas no nosso umbigo e comete erros. A gente não escolhe irmão, não escolhe pai, não escolhe mãe. Agora, amigo, a gente escolhe”, declarou.

O presidente disse que, depois de quase duas décadas de convivência e trabalho conjunto, passou a enxergar em Paes não apenas um aliado, mas um gestor preparado para comandar o estado. Lula destacou a experiência do ex-prefeito e afirmou não ter dúvidas sobre sua competência.

“A coisa de que ele mais gosta é demonstrar competência para governar essa cidade e esse estado do Rio de Janeiro. Eu duvido que o Rio de Janeiro já tenha tido alguma vez na vida um prefeito da qualidade dele”, afirmou.

Lula também deixou claro que estará diretamente envolvido na campanha de Paes. Segundo o presidente, a escolha do próximo governador precisa ser feita pensando na reconstrução do estado e na capacidade de estabelecer uma parceria sólida com o governo federal.

“Não está em jogo a minha relação de amizade com quem quer que seja. O que está em jogo é a gente escolher o que será melhor para o Rio de Janeiro. Quem é que vai ser eleito para ajudar o Rio e para ajudar a gente a governar o Brasil?”, questionou.

Nova etapa de recuperação do RJ

Ao falar sobre a disputa presidencial, Lula relacionou seu projeto para um quarto mandato à recuperação do estado. O presidente colocou a reconstrução do Rio entre as prioridades de um novo governo.

“Eu quero um quarto mandato para acabar uma obra, Eduardo. Primeira obra: ajudar você a recuperar o Rio de Janeiro”, disse.

Lula afirmou que estará empenhado “de corpo e alma” na eleição de Paes e pediu que os eleitores também escolham candidatos comprometidos com a recuperação do estado no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.

“O Rio de Janeiro precisa sair das páginas policiais e voltar para a página política”, declarou.

O presidente também assumiu compromissos específicos com a população fluminense. Na saúde, prometeu transformar os seis hospitais federais do Rio em referências nacionais e ampliar o acesso dos mais pobres a tratamentos de alta complexidade, como a radioterapia.

Na segurança pública, Lula destacou a proposta de ampliar a participação da União, fortalecer a Polícia Federal e criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da proposta de emenda à Constituição enviada pelo governo ao Congresso.

“Nós vamos devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. A rua é do povo, a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo, não é dos bandidos”, afirmou.

“Não vamos salvar o Rio sem a ajuda do presidente”

Eduardo Paes afirmou que a aliança com Lula ultrapassa a relação pessoal construída entre os dois ao longo dos últimos 18 anos. Segundo ele, a união representa um projeto político capaz de reunir forças diferentes em torno da reconstrução do estado.

Paes lembrou que partidos e lideranças que nem sempre pensam da mesma maneira foram capazes de deixar divergências de lado em momentos decisivos. Em 2022, disse, a prioridade foi derrotar a extrema direita e preservar a democracia brasileira.

“Eu gosto de estar com Lula e sei que Lula gosta de estar comigo. Mas essa relação vai além da nossa relação pessoal”, afirmou.

O candidato ao governo disse que o mesmo espírito precisa orientar a eleição no Rio. Para Paes, a união de diferentes partidos será necessária para recuperar as instituições estaduais, melhorar os serviços públicos e enfrentar o domínio do crime organizado sobre territórios e setores do poder público.

“O que nos une é o desejo de salvar o Rio”, resumiu.

Para o ex-prefeito, a reconstrução do estado dependerá de uma atuação conjunta entre o futuro governo estadual e a Presidência da República.

“Nós não vamos salvar o Rio de Janeiro sem a ajuda do presidente. Não é para marcar posição. É para vencer a eleição, ajudar o povo e mudar a história do nosso estado”.

Educação, tecnologia e soberania

Lula retomou os principais compromissos que vem apresentando em seus atos de campanha pelo país. Na educação, anunciou a intenção de ampliar as escolas de tempo integral, criar novos institutos federais e aumentar o número de brasileiros com formação universitária.

O presidente também citou o ProUni, o Fies e o Pé-de-Meia como exemplos de políticas voltadas à permanência dos jovens na escola e à democratização do ensino.

“Eu não quero tirar nada de ninguém. Eu só quero dar igualdade de oportunidade. Quero que a filha da empregada doméstica tenha a mesma condição de disputar uma vaga na universidade que o filho da patroa”, disse.

Lula voltou a destacar o potencial brasileiro nas áreas de inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e transição energética. Segundo ele, essas riquezas precisam servir à industrialização do país e à criação de empregos qualificados, em vez de serem exportadas sem valor agregado.

O presidente afirmou ainda que o Brasil buscará parcerias com diferentes países, sem alinhamento automático com qualquer potência.

Ao encerrar o ato, Lula pediu votos para Paes, Benedita da Silva e Pedro Paulo, além dos candidatos da aliança à Câmara e à Assembleia Legislativa. Para o presidente, a reconstrução do Rio e a continuidade das transformações no Brasil fazem parte do mesmo projeto político.

“Vocês estão votando pela família de vocês e para dar uma chance ao Rio de Janeiro”, concluiu.

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