Milton Leite não se entrega à polícia e é considerado foragido

Milton Leite (União Brasil) na tribuna da Câmara em sua última sessão como vereador em São Paulo. Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União) não se apresentou à Polícia Civil após a Justiça decretar sua prisão temporária e passou a ser considerado foragido nesta sexta (18). A ordem integra uma operação que investiga a infiltração do PCC em empresas de ônibus e no poder público.

Na quinta (17), Leite disse que estava no interior paulista e que se entregaria em até 24 horas. O prazo transcorreu sem apresentação, e telefonemas feitos ao ex-vereador não tiveram resposta; o celular dele deixou de receber mensagens no fim da tarde do dia anterior.

Agentes procuraram Milton Leite em Sorocaba, no interior de São Paulo, na manhã desta sexta (18), mas não o encontraram.

Casa ligada ao ex-vereador e ex-presidente alvo de operação. Foto: Reprodução

Polícia encontrou dinheiro em endereço ligado a ex-assessor

Em um endereço ligado a um ex-assessor do político, a polícia localizou R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, quantia equivalente a cerca de R$ 458 mil na cotação informada.

O ex-assessor não teve o nome divulgado e não era alvo de mandado de prisão ou de busca e apreensão. A localização do dinheiro ocorreu durante as diligências para cumprir a decisão contra Leite.

O Ministério Público de São Paulo aponta o ex-vereador como verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa de ônibus acusada de lavar dinheiro para o PCC. A investigação atribui a ele participação nas operações de companhias de transporte controladas pela facção.

Leite nega ser dono de empresa de ônibus e rejeitou as suspeitas que embasaram sua prisão. “Não sou dono de empresa de ônibus e só assumi uma interlocução na SPTrans a pedido do Bruno Covas [ex-prefeito, morto em 2021], por causa da greve de 2019. Não tem nada de ilegal”, disse.

A Transwolff também afirmou que o político não possui participação societária na companhia, nem participou de sua gestão ou deu ordens sobre os negócios. A prisão temporária de Leite e de outras 15 pessoas tem prazo de 30 dias.

O delegado Fabrício Intelizano, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes, disse que a polícia chegou a Leite ao analisar mensagens de WhatsApp entre investigados e uma pessoa apontada como integrante do PCC. Em um diálogo, um suspeito afirmou a outro que seria necessário “envolver o Milton Leite para resolver a questão”.

Outra conversa cita preocupação em dar ciência a Leite sobre fatos relacionados à UpBus. Os investigadores avaliam que o diálogo pode tratar da substituição da empresa pela Translíder e sustentam que declarações de policiais militares também associam o ex-vereador à Transwolff.

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