
A Polícia Federal apura mensagens em que Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe e condenado por participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “nosso senador”. As conversas tratam de uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 destinada a uma entidade ligada aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão.
As mensagens vieram a público pela Piauí e integram uma investigação sobre possível desvio da verba. A PF busca esclarecer se os recursos públicos beneficiaram a milícia e o grupo político dos irmãos Brazão, apontados como mandantes do assassinato de Marielle, em março de 2018.
Peixe procurou Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro em Brasília, para pedir recursos ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o IFOP. Nas conversas, ele mencionou interesses dos irmãos Brazão no repasse.
A assessora confirmou a possibilidade de liberar a emenda e sugeriu que Chiquinho Brazão comparecesse a um evento para reforçar pessoalmente o pedido ao senador. O Ministério do Esporte firmou o termo de fomento com o instituto, e o pagamento ocorreu em novembro de 2023.

PF investiga atuação de assessora e destino da emenda
A investigação aponta Maria de Fátima como a interlocutora entre Peixe e a destinação da verba. Ela tratou com o ex-policial militar de detalhes e do andamento do repasse, conforme as conversas analisadas pela Polícia Federal.
Os investigadores apuram se a assessora atuou por iniciativa própria ou sob ordens superiores. A PF também verifica se os R$ 199.999,79 enviados ao IFOP tiveram desvio para atividades da milícia.
Antes da prisão, Peixe trabalhou como assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Ele cumpre pena em regime fechado pela participação no crime contra Marielle e Anderson Gomes.
Chiquinho e Domingos Brazão respondem como acusados de mandar matar Marielle Franco. A apuração sobre a emenda busca determinar se as tratativas entre Peixe, a assessora e o instituto criaram uma rota de acesso do grupo a recursos federais.