
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou o bloqueio de até R$ 2,7 bilhões em bens de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e de quatro ex-gestores da instituição. A medida integra o processo que apura as relações entre o banco público e o Banco Master e valerá por um ano.
A decisão unânime alcança Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de Finanças e da Controladoria; Robério Cesar Bonfim Mangueira, ex-superintendente de Operações Financeiras; Wily da Silva Leão, que atuou na mesma superintendência; e Marcelo Talarico, ex-presidente do Conselho de Administração do BRB. A Corte tomou a decisão em sessão reservada.
O TCDF também mandou dar prioridade à instrução do processo e converter o caso em Tomada de Contas Especial. O objetivo é apurar responsabilidades e buscar a reparação de eventuais prejuízos ao BRB.
O procedimento se baseia em representação com pedido cautelar e em uma investigação independente conduzida pelos escritórios Machado Meyer e Kroll. O Ministério Público de Contas apontou indícios de um núcleo decisório interno responsável pelas operações analisadas.

Relatório aponta operações bilionárias ligadas ao Banco Master
Para o Ministério Público de Contas, há “elevada a probabilidade de responsabilização dos agentes que detinham competência decisória, atribuições de supervisão direta ou deveres institucionais qualificados de fiscalização e controle”. O órgão citou Paulo Henrique Costa, Dario Garcia, Robério Mangueira, Luana de Andrade Ribeiro, Marcelo Talarico e a Diretoria Colegiada do BRB entre os integrantes desse núcleo.
O parecer também mencionou participação relevante de Jacques Maurício Veloso Melo, ex-diretor jurídico do banco, João Pedro Leite Nunes, Wily Leão e Ananda Nunes Frota, ex-superintendente de Fusões, Aquisições e Participações. O tribunal poderá ampliar o bloqueio a esses nomes caso confirme atos concretos, ciência e nexo causal nas operações.
Segundo o relatório analisado pelo TCDF, 83% do volume financeiro movimentado pelo BRB nas operações de 2024 e 2025 envolveu ativos vinculados ao conglomerado do Banco Master. A apuração descreve deficiência nos controles prévios e ausência, por período significativo, de procedimentos estruturados de análise e verificação das operações.
A investigação afirma que a gestão do BRB teria fracionado operações em parcelas abaixo de R$ 750 milhões, permitindo a deliberação apenas pela Diretoria Colegiada e afastando o Conselho de Administração. As aquisições teriam superado R$ 2 bilhões sem decisão colegiada sobre o valor total comprometido, e o banco comprou R$ 6,1 bilhões em novas carteiras, além de realizar substituições que chegaram a R$ 13,7 bilhões.