
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que um executivo do Banco Master confirmou, em 1º de outubro de 2025, pagamentos ao Metrópoles e ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, no mesmo dia. O conteúdo integra o relatório juntado à PET 16.662, cujos autos tiveram o sigilo levantado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Às 21h35, Alberto Felix de Oliveira Neto, então superintendente-executivo da tesouraria do Master, escreveu a Vorcaro: “Chegou btg. Pagamsos [sic] metropoles e barci”. O diálogo ocorreu depois de cobranças do banqueiro para que transferências ao escritório fossem realizadas dentro do prazo.
Minutos depois, Vorcaro perguntou: “Mas nao faz barci pix ne. Fez?”. Alberto respondeu: “Fez, nao pode? Foi pix para os mesmos dados da ted”. Às 21h46, o banqueiro encerrou: “Nao e bom”. O relatório não informa o valor daquele pagamento nem explica por que ele rejeitou a forma usada.
Outras mensagens reunidas pela PF mostram que Vorcaro classificou o pagamento ao Barci de Moraes como “o pgto mais importante que temos”, afirmou que ele não poderia “atrasar um dia” e autorizou: “Pode pagar sempre, sem nota” e “Do jeito que for”. Em outra conversa, pediu que ninguém tivesse acesso ao contrato. As frases documentam a prioridade e a reserva dadas ao pagamento, mas não bastam, isoladamente, para comprovar ilegalidade.

O material não estabelece relação entre os pagamentos ao Metrópoles e ao escritório além de eles terem sido citados na mesma atualização. A PF também não identificou pagamento ou vantagem destinados a Alexandre de Moraes nem afirmou que os repasses ao portal ou a contratação da banca constituam crime. Na noite desta terça, a Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade da ordem que originou o relatório e a extinção da PET 16.662. O pedido ainda não havia sido julgado.
Procurado pelo Estadão, o Metrópoles afirmou que todos os valores recebidos correspondiam a contratos públicos de publicidade e patrocínio de transmissões esportivas firmados com o Master e com o Will Bank, que integrava o conglomerado de Vorcaro.
O Master já havido transferido R$ 27.283.800 à Metrópoles Marketing e Propaganda Ltda. Dois pagamentos feitos no segundo semestre de 2024 somaram R$ 838.800; os R$ 26.445.000 restantes foram enviados entre janeiro e outubro de 2025. Um relatório de inteligência financeira do Coaf reproduziu alertas encaminhados pela Caixa sobre operações consideradas atípicas, mas uma comunicação desse tipo não comprova, por si só, crime ou irregularidade.
Luiz Estevão, dono do Metrópoles, afirmou que os recursos remuneravam seis frentes comerciais, entre elas os naming rights e o patrocínio das transmissões da Série D. Segundo o Estadão, a marca do Will Bank só foi instalada na placa central dos campos em 26 de julho, mais de três meses depois do início do torneio, embora o nome do patrocinador já aparecesse em conteúdos do portal ao menos desde 19 de julho. Em manifestação anterior, o Barci de Moraes declarou que o contrato envolveu 94 reuniões e 36 pareceres e que a banca nunca atuou em processo do Master no STF.