Meta derruba perfil de igreja que detonou evangélicos bolsonaristas

Pastor Rodolfo Capler, da Igreja Alternativa
Pastor Rodolfo Capler, da Igreja Alternativa de Piracicaba. Foto: Reprodução

A Meta desativou, na noite de terça-feira (23), o perfil oficial da Igreja Alternativa, de Piracicaba (SP), depois que um vídeo do pastor Rodolfo Capler criticando a associação entre lideranças evangélicas e Bolsonaro viralizou nas redes. A conta @igrejaalternativa tinha cerca de 2,7 mil seguidores.

A igreja afirmou que o Instagram justificou a medida com uma suposta violação dos Padrões da Comunidade relacionada à “integridade da conta”, mas não apontou qual publicação ou conduta teria motivado a desativação.

O trecho divulgado fazia parte da série “O Cristão e a Política” e alcançou mais de 70 mil pessoas em cerca de 48 horas. O vídeo acumulou mais de 3 mil compartilhamentos, centenas de repostagens, milhares de curtidas e levou mais de mil usuários a seguir a página.

Capler direcionou suas críticas a setores do evangelicalismo que, nas palavras dele, desde 2018 “se tornaram absolutamente leais a Bolsonaro”. “É uma abominação. É antievangelho. É uma afronta à mensagem pura do evangelho”, afirmou ao tratar da aliança política de parte das igrejas com o ex-presidente.

Novo perfil recebeu restrições poucas horas após criação

A igreja ressaltou que o sermão não atacava eleitores de Jair Bolsonaro nem defendia o presidente Lula ou a esquerda. A pregação questionava o uso do púlpito como palanque e a transformação da identidade política em uma extensão da fé cristã.

Em outro momento, o pastor criticou evangélicos que defendem a ditadura militar. “Não dá para um cristão evangélico defender ditadura militar”, disse Capler à plateia.

Na madrugada de quarta-feira (24), a congregação criou a conta @igrejaalternativaoficial para retomar a presença na rede social. Horas depois, o novo perfil recebeu restrições que impediram o envio de links e respostas a mensagens.

As notificações recebidas pela igreja apontavam possível violação das Diretrizes da Comunidade e diziam que a conta ou sua atividade poderia “estar enganando outras pessoas para tirar dinheiro, propriedade ou informações pessoais delas”. A Meta não detalhou qual conteúdo ou comportamento teria levado às limitações e não respondeu aos questionamentos feitos desde a manhã do dia 24.

Ao Metrópoles, Capler disse suspeitar de denúncias coordenadas por grupos bolsonaristas, hipótese que a Meta não confirmou publicamente. A Igreja Alternativa, que realiza cultos aos domingos na Rua São José, no Centro de Piracicaba, informou que seguirá publicando: “A igreja vai continuar publicando e resistindo”.

Artigo Anterior

Presidente da Vale foi o único empresário mineiro confirmado em jantar de Lula

Próximo Artigo

Barroso diz que “acidente” não define Judiciário

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!