
Por Jeferson Miola, publicado no blog do autor
Com o que já veio à tona depois da liberação parcial dos sigilos do Master, mais o que André Mendonça esconde sobre o Dark Horse, fica totalmente comprovado que o ministro bolsonarista agiu e continua agindo como um juízo de exceção para alcançar resultados políticos.
Durante meses, desde que Mendonça assumiu a relatoria do caso Master e afastou a PF para controlar as informações, saíram do gabinete dele os vazamentos seletivos para incriminar Fábio Luís sem provas, mas com inferências e insinuações.
A estratégia foi política e eleitoralmente eficaz: desvinculou Flávio Bolsonaro e bolsonaristas do esquema mafioso do Daniel Vorcaro, e consolidou na mídia hegemônica a narrativa de corrupção petista – o que vem afetando, segundo especialistas, o desempenho do Lula nas pesquisas de intenção de votos.
Agora, comprovando atuar como um juiz parcial e enviesado, Mendonça fez um levantamento seletivo dos sigilos, e manteve escondida a investigação sobre o Dark Horse.
De acordo com o noticiado com base em informações da PF, esta investigação apura, com abundância de provas, possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e de corrupção praticados pelo Flávio Bolsonaro junto com seu irmão-gângster foragido nos EUA e outros aliados corruptos.
O mínimo que se pode inferir da proteção canina do Mendonça ao Flávio Bolsonaro é que a podridão que ele ainda mantém escondida pode derrubar a candidatura do Flávio. Ou seja, Mendonça tenta salvar a candidatura dele.

O presidente do STF Edson Fachin precisa mandar Mendonça levantar imediatamente também o sigilo desta investigação que trata do esquema montado pelos Bolsonaro alegadamente para a produção do filme Dark Horse.
Mendonça, aliás, já não deveria ter nenhuma jurisdição sobre estas investigações. Ele deveria, também, ser afastado da relatoria do Master e das deliberações do Plenário sobre o caso.
Assim como Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux, que aparecem nos relatórios de investigações da PF e devem responder por desvios e ilícitos praticados, Mendonça também deve explicações sobre a relação com Vorcaro.
Na decisão para reintegrar os delegados Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos seus postos na PF, o ministro Flávio Dino disse que Mendonça “teria recebido, para reunião nas dependências de uma empresa privada, o Sr. Daniel Vorcaro, investigado em autos de sua própria competência. Segundo noticiado, essa reunião teria ocorrido, inclusive, por intermediação de outros agentes que figuram em investigações em curso no Poder Judiciário”.
O fim do sigilo do Dark Horse é tão urgente e necessário quanto o afastamento de André Mendonça da relatoria do caso Master e a apuração sobre a conduta parcial, enviesada e manipuladora documentada nos relatórios de inteligência da PF.