
O medo de autoritarismo, golpe e perda de programas sociais está entre os obstáculos enfrentados por Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra o presidente Lula (PT). A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) mostra que 43% dos eleitores têm mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder. Na análise do diretor do instituto, Felipe Nunes, indicadores desse sentimento apontam sinais de recuperação do petista em relação à véspera do primeiro turno.
Entre os entrevistados que temem o retorno dos Bolsonaro, 16% justificam a resposta pela rejeição pessoal a Flávio Bolsonaro ou à família. Autoritarismo, golpe e ataques ao STF aparecem com 11%, mesmo percentual atribuído à avaliação negativa do governo Jair Bolsonaro e à possibilidade de acabar com programas sociais. Corrupção, rachadinha e caso Master vêm depois, com 9%. Os percentuais se referem às respostas desse grupo, não ao conjunto do eleitorado.
9/ O que chama atenção são as justificativas para o medo. Quem tem medo do Lula, ressalta corrupção, custo de vida e uma má administração como razões. Quem tem medo de Bolsonaro, pontua rejeição pessoal a família, a tentativa de golpe, uma lembrança de um governo ruim e a… pic.twitter.com/AchOrZrRUf
— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 14, 2026
O temor de retorno da família Bolsonaro estava em 40% em 3 de outubro e agora marca 43%. O receio de mais um mandato de Lula permaneceu em 43%, deixando os dois cenários empatados. Nunes destaca que o indicador referente aos Bolsonaro havia chegado ao menor patamar da série na véspera do primeiro turno. A oscilação posterior é um dos elementos que ele associa à melhora relativa do presidente.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, a mudança foi mais acentuada numericamente: o medo da volta dos Bolsonaro passou de 39% para 45%, enquanto o temor de continuidade de Lula saiu de 48% para 45%. A diferença de nove pontos que havia nesse segmento desapareceu. O recorte tem margem de erro de cinco pontos percentuais, para mais ou para menos.
8/ Um dos movimentos mais sensíveis nesse indicador aconteceu entre os jovens. O medo de Lula era majoritário nesse sub-grupo no dia 03/10. Agora, os jovens se dividem e 45% tem mais medo da volta do Bolsonaro e 45% tem mais medo da continuidade do Lula. pic.twitter.com/Od2OyFL5fa
— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 14, 2026
Na leitura de Nunes, os resultados representam uma “relativa recuperação de Lula”. A preocupação com a família Bolsonaro reúne questões que vão além da corrupção: inclui a experiência do governo anterior, a democracia, os direitos e a manutenção de políticas sociais. São razões declaradas pelos entrevistados para rejeitar a possibilidade de retorno desse grupo ao Planalto.
O movimento ocorre em uma disputa nacional tecnicamente empatada, com 46% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula. A Quaest entrevistou 2.154 pessoas entre 10 e 13 de outubro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08729/2026.