
O voto em Lula (PT) no primeiro turno teve uma proporção maior de escolha pelo próprio candidato do que o voto em Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados da Quaest destacados pelo jornalista Ricardo Noblat. Entre os eleitores do presidente, 73% disseram tê-lo escolhido por considerá-lo o melhor candidato. No eleitorado do senador, essa justificativa corresponde a 53%.
Já o desejo de tirar o PT do poder motivou 42% dos eleitores de Flávio. Entre os que votaram em Lula, 23% apontaram como razão impedir a vitória de Bolsonaro. Os números mostram que o voto contrário ao adversário teve peso maior na escolha pelo candidato do PL.
Ao comentar o levantamento, Noblat ressaltou a diferença entre os dois eleitorados. “O voto em Lula é muito mais positivo”, escreveu. No caso de Flávio, o jornalista observou uma divisão mais próxima entre a preferência pelo senador e o antipetismo.
A análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes, também aponta a importância do voto útil de direita no primeiro turno. Segundo ele, 15% dos entrevistados chegaram a cogitar Cury, Caiado, Renan Santos ou Zema antes da votação, mas acabaram escolhendo Flávio.

O momento da decisão reforça a diferença entre as bases eleitorais. Entre os que votaram em Lula, 84% disseram ter definido a escolha antes do início da campanha. No eleitorado de Flávio, 7% decidiram na última semana e 10% no próprio domingo da votação.
Para o segundo turno, Nunes destacou outro grupo relevante: os eleitores que afirmam ter votado em branco, anulado ou deixado de comparecer no primeiro. Nesse segmento, 43% declaram intenção de votar em Lula, e 38%, em Flávio. Na avaliação do pesquisador, reduzir a abstenção é essencial para o presidente, embora não seja suficiente, por si só, para garantir a vitória.
No cenário geral, a Quaest mostra Flávio com 46% das intenções de voto e Lula com 44%, em empate técnico. A rejeição também está empatada dentro da margem de erro: 54% dizem não votar no senador, contra 53% no presidente.
Encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, o levantamento entrevistou 2.154 pessoas entre 10 e 13 de outubro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-08729/2026; a margem geral não se aplica automaticamente aos recortes por eleitorado.