
O ator Mark Ruffalo reagiu à acusação de antissemitismo feita pela Paramount Skydance depois que criticou a proposta de fusão da empresa com a Warner Bros..
Ruffalo classificou a acusação como “estarrecedora e fundamentalmente desonesta” e afirmou que críticas ao governo de Israel, a contratos militares ou a executivos de empresas que fornecem tecnologia ao país não equivalem a ataques contra judeus.
“Criticar as ações do primeiro-ministro israelense, um contrato de tecnologia militar ou os executivos que o fornecem não é o mesmo que criticar o povo judeu”, escreveu o ator em uma publicação no X. Segundo Ruffalo, esse tipo de debate é posteriormente apresentado de forma desonesta como se fosse uma manifestação anti-Israel.
A controvérsia começou depois que Ruffalo compartilhou uma publicação do movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), campanha liderada por palestinos contra a ocupação israelense. O conteúdo reproduzia declarações de Safra Catz, vice-presidente executiva da Oracle, sobre o apoio da companhia às Forças Armadas de Israel após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Catz havia afirmado que a Oracle realizou esforços que não poderia detalhar publicamente para apoiar os militares israelenses, em referência ao fornecimento de tecnologia avançada.
O BDS acusou a Oracle de ser “cúmplice de crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, além de acusá-la de envolvimento com apartheid e genocídio contra palestinos.
Ruffalo republicou o conteúdo e direcionou críticas a Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai de David Ellison, executivo responsável pela Skydance e à frente da aquisição da Paramount Global.
O ator afirmou que Larry Ellison estaria utilizando a Oracle para financiar o negócio liderado pelo filho. Também questionou o possível impacto da tecnologia de vigilância e de contratos governamentais da Oracle sobre o futuro conglomerado de mídia.
The accusation that I am antisemitic is appalling and fundamentally dishonest. Criticizing the actions of the Israeli prime minister, a military technology contract, or the executives who supply it is not the same as criticizing Jewish people. This critical and necessary dialogue…
— Mark Ruffalo (@MarkRuffalo) August 22, 2026
Ruffalo vê risco para Hollywood
Além da questão envolvendo Israel e Gaza, Ruffalo criticou diretamente a fusão entre Paramount e Warner Bros. Para ele, o negócio seria “catastrófico para nossa indústria cinematográfica”, com potencial para provocar perda de empregos, aumento dos custos de TV por assinatura e redução da concorrência.
A operação, avaliada em US$ 111 bilhões, ainda enfrenta obstáculos regulatórios. O negócio está temporariamente suspenso enquanto um juiz federal analisa uma ação apresentada por um grupo de procuradores-gerais estaduais, que contestam a operação com base na legislação antitruste.
Em resposta, a Paramount afirmou estar preocupada com o uso de “estereótipos antissemitas” em uma disputa empresarial.
“Palavras como ‘genocídio’ e ‘apartheid’, aplicadas a uma transação corporativa, não são apenas erradas — ultrapassam os limites”, afirmou a empresa em comunicado. A Paramount acrescentou que não tolera preconceito de nenhuma natureza.
Ruffalo voltou a responder no sábado e reiterou que suas críticas não eram dirigidas aos judeus. Segundo o ator, a discussão sobre a fusão envolve consequências concretas para trabalhadores, consumidores e para o país.
Ele também afirmou ser legítimo questionar os negócios da família Ellison, incluindo a atuação da Oracle em dados, tecnologia de vigilância e contratos governamentais, além dos possíveis impactos da concentração de poder sobre a liberdade editorial.
O ator argumentou ainda que a operação entregaria a uma única família o controle de marcas como CNN, HBO e Warner Bros. e levantou questionamentos sobre a participação de capital estrangeiro no negócio e sua eventual influência sobre decisões editoriais.