
Empresas de apostas esportivas tentam abrir um canal com a cúpula da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para buscar uma trégua na ofensiva eleitoral contra o setor. Executivos das bets avaliam que o tema ganhou espaço nos palanques e passou a produzir desgaste financeiro e político para as plataformas.
O movimento ocorre após a campanha de Lula lançar uma peça contra as casas de apostas, com relatos de pessoas afetadas por endividamento e dependência. O vídeo também traz uma participação do rapper Emicida e começou a circular no canal do presidente no YouTube antes da exibição prevista na televisão.
As empresas pretendem alcançar interlocutores do PT para discutir formas de reduzir o peso da pauta na disputa eleitoral. Não há indicação de que a campanha petista aceite um acordo ou recue da estratégia adotada contra as plataformas.
A pressão sobre o segmento aumentou nesta segunda-feira (21), quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido liminar contra a proibição de publicidade de apostas em bens públicos estaduais de Minas Gerais. A ação buscava suspender um decreto mineiro que veta esse tipo de propaganda.
A ilusão das Bets não pode destruir o futuro das famílias brasileiras.
Temos visto histórias dolorosas de pessoas que perderam as economias, os bens e até a própria vida diante do vício em apostas online. Isso não é entretenimento. É um problema grave que afeta a saúde mental, a… pic.twitter.com/APYfIuIDOd
— Lula (@LulaOficial) September 21, 2026
Decisão de Flávio Dino amplia preocupação no setor
O processo chegou ao gabinete de Dino em 4 de setembro, e o ministro decidiu pela manutenção da restrição pouco mais de duas semanas depois. Entre representantes das bets, a rapidez da análise alimentou críticas à decisão, embora o STF registre julgamentos monocráticos em prazos menores.
A negativa da liminar preserva, por enquanto, a regra de Minas Gerais que impede a divulgação de apostas em espaços e bens controlados pelo estado. A decisão acrescenta um obstáculo regional às empresas num momento em que a publicidade do setor entrou na agenda eleitoral.
As plataformas calculavam que poderiam deslocar o debate público sobre apostas para depois das eleições de 2026. A exposição do tema em propagandas, discursos e medidas judiciais alterou essa expectativa e levou o setor a priorizar contatos políticos.
Na peça divulgada pela campanha de Lula, os depoimentos sobre vício e dívidas estruturam a crítica às bets. O roteiro alterna a conversa do presidente com convidados e a intervenção de Emicida, enquanto a equipe petista prepara a veiculação do material na televisão nesta terça-feira (22).