O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (5), estar convencido de que será reeleito no segundo turno das eleições e pediu maior mobilização de aliados nos 20 dias que antecedem a votação. Em discurso a apoiadores e candidatos que não conseguiram se eleger no primeiro turno, Lula disse que não vê razões econômicas, sociais ou políticas que impeçam sua vitória.
O presidente lembrou sua experiência em disputas eleitorais e citou a eleição de 2006, quando enfrentou Geraldo Alckmin no segundo turno. Segundo Lula, naquela ocasião, ele ampliou sua votação em 12 milhões de votos, enquanto Alckmin perdeu cerca de 4 milhões na segunda etapa. Também mencionou a eleição de 1989, quando obteve 17% dos votos no primeiro turno e chegou perto de 47% no segundo.
Lula pediu aos aliados que não atribuam a derrota nas urnas apenas a fatores externos e afirmou que a campanha precisa identificar os próprios erros. Ele destacou ainda a necessidade de conquistar os cerca de 30 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno. “É devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral”, afirmou.
Segurança pública
Um dos principais temas abordados por Lula foi a segurança pública. O presidente defendeu uma maior participação do governo federal no combate ao crime organizado e pediu apoio dos governadores para a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição que, segundo ele, deverá definir a atuação da União na área.
Lula afirmou que o crime organizado se tornou mais sofisticado e ultrapassou as fronteiras estaduais. Para o presidente, o enfrentamento da criminalidade exige integração entre União, estados e municípios, além de investimentos em inteligência, formação profissional e estrutura policial.
Ele também defendeu a presença do Estado nas comunidades por meio de políticas sociais. Segundo Lula, não basta ampliar a atuação policial sem garantir serviços públicos como educação e saúde. “O crime organizado ganhou a parada”, disse, ao defender uma mudança na estratégia de combate à criminalidade.
Política econômica
Na área econômica, Lula afirmou que seu governo conseguiu aumentar o salário mínimo acima da inflação sem provocar descontrole dos preços. Segundo ele, propostas de maior rigor fiscal podem acabar afetando principalmente políticas de inclusão social.
O presidente também criticou a possibilidade de interrupção de programas de investimentos e políticas públicas caso a oposição assuma o governo. Citou iniciativas nas áreas de saúde e infraestrutura e afirmou que a continuidade desses projetos dependerá de vontade política.
Críticas ao Judiciário
Lula também defendeu uma nova discussão sobre a reforma do Poder Judiciário e sobre os critérios para escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a sociedade precisa participar do debate sobre a forma de indicação dos integrantes da Corte e sobre a eventual existência de mandatos para os ministros.
O presidente afirmou que a desconfiança da sociedade em relação ao Supremo representa um problema que precisa ser enfrentado. “Ninguém está acima da lei e nem o ministro da Suprema Corte está acima da lei”, declarou.
Contato com eleitores
Na reta final da campanha, Lula disse que pretende ampliar a participação em debates, entrevistas de rádio, passeatas e atividades de rua. Ele citou a intenção de voltar a estados como Ceará, Piauí, Bahia e São Paulo, além de visitar o Rio Grande do Norte para apoiar aliados.
O presidente também aconselhou os candidatos que não foram eleitos a não responsabilizarem os eleitores pelo resultado. Para Lula, a derrota deve ser encarada como aprendizado para futuras eleições. “Não brigue com o eleitor. Não fale mal do eleitor, porque ele não votou em vocês”, afirmou.
Ao final, Lula voltou a demonstrar confiança na vitória no segundo turno e pediu que os aliados se preparem para a nova etapa da disputa. “Se preparem, porque nós vamos ganhar as eleições”, disse.
LEIA TAMBÉM: