Lula denuncia plano de Flávio Bolsonaro para meter a mão no bolso do trabalhador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou à imprensa nesta quinta-feira (8), no QG da campanha em Brasília, que o “tesouraço” prometido por Flávio Bolsonaro vai retirar direitos do povo brasileiro. O pacote de corte de gastos que a equipe do senador discute com o mercado, da ordem de 2% do PIB, algo entre R$ 200 bilhões e R$ 250 bilhões, vai destruir políticas sociais e de distribuição de renda implementadas pela atual gestão.

Lula listou o que diz ter encontrado no orçamento deixado por Jair Bolsonaro e avisou o destino do ajuste prometido pelo filho. “Fiquem preocupados, porque quando se falar em corte, significa meter a mão no bolso do povo trabalhador”, disse. “Toda vez que alguém da elite fala que vai cortar, eles cortam do sangue do povo e não dos ricos.”

Os números que o presidente informou: corte de 59% no Farmácia Popular, 50,7% no Mais Médicos, 45% na prevenção do câncer, 97% na infraestrutura escolar, 95% no Minha Casa Minha Vida, mais de 90% nas cisternas e 95% no Sistema Único de Assistência Social, além de cinco anos sem reajuste da merenda, são os do projeto de orçamento que herdou em 2023. O que as séries oficiais mostram, de 2019 para cá, é que o grosso da diferença entre os dois períodos está justamente nessas políticas de piso de ganhos sociais.

Lula devolveu aumento real à aposentadoria

O piso do INSS é o salário mínimo, e cerca de 62% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social estão nele. São 21,9 milhões, segundo o Ministério da Previdência.

Entre 2019 e 2022, nos anos de Bolsonaro, o mínimo saiu de R$ 998 para R$ 1.212 sem ganho real.

A Lei 14.663/2023 do governo Lula recolocolou o aumento real. O piso foi a R$ 1.302, depois R$ 1.320 em maio daquele ano, R$ 1.412 em 2024, R$ 1.518 em 2025 e R$ 1.621 em 2026, com reajuste de 6,79%, acima do INPC. O que voltou foi o ganho de quem está no mínimo, justamente, a indexação que o plano de Flávio quer separar do BPC e das aposentadorias.

Lula recompôs o piso da saúde e o Farmácia Popular

Na gestão Bolsonaro, a Saúde saiu de R$ 115,8 bilhões em 2019 para R$ 137,9 bilhões em 2022. Com Lula, chegou a R$ 218,5 bilhões em 2025. O Tesouro registrou R$ 234,5 bilhões em ações e serviços públicos de saúde no ano passado, 103% do mínimo constitucional, contra R$ 215,9 bilhões em 2024.

A cobertura vacinal infantil, em queda desde 2016 e no fundo em 2021, começou a recuperar em 2022 e acelerou depois. Em 2024, BCG e a primeira dose da tríplice viral voltaram à meta do PNI, embora a maior parte do calendário infantil ainda esteja abaixo. O Farmácia Popular, que Lula diz ter recebido com corte de 59%, chegou a 27,3 milhões de beneficiários, com os 41 itens gratuitos e previsão de R$ 7,6 bilhões em 2026.

Lula tirou os anos iniciais da meta do Ideb

O Ideb de 2023, do Inep, cravou 6,0 nos anos iniciais, a meta nacional, contra 5,9 em 2019. Nos anos finais de Bolsonaro ficaram em 5,0 e o ensino médio em 4,3, os dois abaixo da meta. O Ideb de 2021, no meio do caminho, foi inflado pela aprovação automática da pandemia.

O gasto em Educação foi de R$ 98,5 bilhões em 2019 a R$ 169,6 bilhões em 2025. A manutenção e o desenvolvimento do ensino fecharam o ano passado em R$ 129,9 bilhões, 106,4% do piso constitucional. A marca do governo anterior nessa área foi o corte de 97% na infraestrutura escolar e a merenda cinco anos sem reajuste.

Lula contratou casa num ritmo que Bolsonaro não teve

O Casa Verde e Amarela de Bolsonaro entregou apenas 1,6 milhão de unidades entre 2019 e 2022, segundo o então Ministério do Desenvolvimento Regional. Parte era obra contratada antes e só concluída. O Minha Casa Minha Vida, recriado por Lula em 2023, contratou 2,11 milhões de unidades até 2025, com R$ 317,8 bilhões, e tinha 1,4 milhão concluídas no início de 2026.

​Contratada não é chave na mão. O ritmo, porém, é o oposto do corte de 95% que Lula diz ter achado no orçamento de 2023. A meta de 2 milhões de contratações foi antecipada. A nova, anunciada pelo Planalto, é de 3 milhões até o fim deste ano.

Lula reabriu o Ministério da Cultura e o orçamento da pasta

A verba da Cultura caiu para cerca de R$ 0,6 bilhão ao ano entre 2020 e 2022, com o ministério extinto, e voltou à faixa de R$ 2,1 bilhões a R$ 2,4 bilhões a partir de 2023. Bolsonaro acabou com o Ministério da Cultura. Lula o recriou.

Na Rouanet, a autorização de captação em 2023, R$ 16,5 bilhões, superou os quatro anos anteriores somados. O que foi de fato captado ficou na casa de R$ 2 bilhões, perto de 2022.

Lula cortou à metade o desmatamento que Bolsonaro entregou

O Prodes/Inpe mediu 10.129 km² de desmatamento na Amazônia Legal em 2019, pico perto de 13 mil km² em 2021 e 11.594 km² em 2022. A taxa consolidada de 2025 foi de 5.731 km², cerca de metade da de 2022 e 12% abaixo de 2024. O Ministério do Meio Ambiente fala em queda acumulada de 50% frente ao último ano do governo anterior.

​O desmatamento do Cerrado, que subiu de 2019 a 2023, caiu em 2024 e de novo em 2025, para 7.235 km². A taxa ainda está acima do piso histórico de 2012, de 4,5 mil km². Ibama e Fundo Amazônia, esvaziados no período anterior, foram reativados com Lula.

Lula segurou a inflação um terço abaixo

O IPCA do bolsonarismo, de janeiro de 2019 a agosto de 2022, acumulou 25,3%. O de Lula, de janeiro de 2023 a agosto de 2026: 17,9%.

O mandato de Bolsonaro fechou perto de 26,9%, com o pico de 10,06% em 2021.

A média anual passou de cerca de 6,2% para cerca de 4,5%, no governo Lula. Carnes, no mesmo recorte de 44 meses, subiram 72,8% sob Bolsonaro e 17,8% sob Lula, segundo o IPCA/IBGE. O grupo alimentos e bebidas, em janelas equivalentes, avançou 44,2% contra 17,1%.

Lula levou o desemprego à mínima da série

Bolsonaro recebeu a desocupação perto de 12% e entregou o quarto trimestre de 2022 em 7,9%, pela PNAD Contínua. O quarto trimestre de 2025 fechou em 5,1%, mínima da série do IBGE. A queda começa no governo anterior e chega ao fundo no atual.

A renda domiciliar per capita atingiu R$ 2.020 em 2024, maior valor da série, com alta real de 4,7% sobre 2023. O mínimo, que tinha ficado parado em termos reais, voltou a subir acima da inflação todos os anos a partir de 2023.

Lula dobrou a média de crescimento do PIB

Entre 2019 e 2022 o PIB variou 1,2%, -3,3%, 4,8% e 3,0%. A média fica perto de 1,4% ao ano, com o tombo da pandemia no meio. Sob Lula, o IBGE mediu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

​O PIB de 2025 chegou a R$ 12,7 trilhões. O per capita, a R$ 59.687, com alta real de 1,9%. Os dois estão no maior patamar da série do IBGE, iniciada em 1996. O ano de 2026 ainda está aberto.

Lula segurou a exportação mesmo com o tarifaço

As vendas externas, que já tinham saltado para cerca de US$ 334 bilhões em 2022, fecharam 2023 em US$ 339,7 bilhões, 2024 em US$ 337 bilhões e 2025 em US$ 348,6 bilhões, segundo o MDIC. O superávit recorde, US$ 98,9 bilhões, é de 2023, já no governo Lula. Em 2024 foram US$ 74,6 bilhões. Em 2025, US$ 68,3 bilhões.

​Em 2025, com o tarifaço americano, a exportação aos Estados Unidos caiu 6,6%. O total exportado ainda subiu 3,5%, com redirecionamento para China, Argentina e União Europeia. Os valores são em dólar corrente. O ciclo de commodities começa em 2021, ainda no governo anterior. O recorde de saldo é do atual.

Até a Bolsa de Valores subiu mais com Lula

O Ibovespa saiu de 87.887 pontos no fim de 2018 para 109.735 no fim de 2022: +24,9%, pela B3.

Fechou setembro de 2026 em 186.340 pontos: +69,8% sobre dezembro de 2022, já sob Lula. Ano a ano, o governo anterior teve +31,6%, +2,9%, -11,9% e +4,7%. O atual, +22,3%, -10,4%, +34,0% e +15,7% até setembro.

Descontada a inflação, o acumulado de Bolsonaro fica levemente negativo: +24,9% de bolsa contra IPCA de cerca de 26,9%.

No período de Lula, +69,8% contra 17,9% de IPCA até agosto de 2026.

Bolsonaro recebeu a Selic a 6,50% e entregou a 13,75%. Lula recebeu 13,75% e devolveu os mesmos 13,75% em setembro de 2026. Quem ficou no CDI ganhou cerca de 28% nos quatro anos de Bolsonaro e cerca de 58% de 2023 até setembro de 2026.

O Brasil de um Estadista

Lula trouxe ao Brasil a expressão de um país que cresce distribui rendas e se prepara para decolar. O ajuste que Flávio oferece ao mercado incide sobre piso de aposentadoria, BPC, Farmácia Popular, merenda, Pé-de-Meia e Minha Casa Minha Vida: a mesma destruição que Lula recebeu do governo do pai do 01.

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