Resgatar, para as novas gerações, a história de lutas e conquistas dos grêmios estudantis, desde suas origens até os dias de hoje, foi o desafio abraçado pelo jornalista e editor-adjunto do Portal Vermelho, André Cintra, no livro “Uma Revolução Chamada Grêmio Livre — da Lei Aldo Arantes às Lutas Atuais”, da editora Anita Garibaldi.
A publicação foi lançada durante o 46º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Conubes), que aconteceu entre os dias 16 e 19 de abril em São Bernardo do Campo (SP), e está sendo distribuída gratuitamente para download no site da entidade.
O livro percorre desde as primeiras experiências de organização secundarista, ainda no século 19, até os desafios contemporâneos enfrentados pelos estudantes. Além disso, mostra momentos centrais da história política do País, como a repressão durante a ditadura militar, a reconstrução da Ubes nos anos 1980 e a luta que levou à aprovação da Lei do Grêmio Livre.
É especialmente ao resgatar as origens e mostrar os impactos da “Lei Aldo Arantes” que o livro ressalta o papel dos grêmios estudantis na formação cidadã e na mobilização da juventude.
Sancionada em 1985, a Lei 7.398, de autoria do então deputado federal e ex-líder estudantil Aldo Arantes (PCdoB-GO), representou, como explica o livro, “um marco decisivo no processo de redemocratização brasileira ao restituir, no interior das escolas, um princípio fundamental suprimido pela ditadura: o direito de organização autônoma dos estudantes. Mais do que simplesmente eliminar os entulhos autoritários – como os centros cívicos estudantis, criados para tutelar e despolitizar a juventude –, a lei consagrou um modelo avançado de representação discente, baseado na liberdade de associação, na autonomia organizativa e na prática democrática”.

Com isso, os grêmios passaram a desempenhar um papel formativo estratégico, constituindo-se “como espaços de exercício cotidiano da cidadania, onde os estudantes aprendem, na prática, a deliberar coletivamente, a disputar projetos, a representar seus pares e a intervir na realidade escolar. Ao aproximar a vivência escolar da participação política, a lei contribuiu para a formação de uma cultura democrática entre os jovens”.
Hugo Silva, presidente cessante da Ubes, destaca no prefácio que “ao percorrer suas linhas, o leitor é conduzido por um fio que liga passado e presente, como se cada grêmio fundado fosse um elo numa corrente maior de organização e resistência. É uma travessia afetiva e política pelo sonho estudantil, onde o fio da história é costurado pelas mãos jovens que insistem em transformar corredores de escola em trincheiras de democracia”.
Ele reforça que além de um documento histórico fundamental para contar a trajetória do movimento estudantil brasileiro, é um tributo aos que escreveram essa história, as lideranças anônimas e conhecidas, “jovens que descobriram no grêmio a primeira experiência de participação coletiva”.
Ao mesmo tempo, o jovem dirigente salienta que a obra também aponta para a atualidade e para o futuro, demonstrando a relevância da luta estudantil para conquistas que atendam não apenas as necessidades dos jovens, mas a construção democrática de um país mais justo e pleno em sua cidadania.
“Hoje, quando governos tentam enquadrar os grêmios em tutelas e o novo Plano Nacional de Educação ameaça esquecê-los, o livro não se recolhe ao saudosismo. Ele aponta sete desafios urgentes – da saúde mental à inteligência artificial, da luta antifascista à comunicação digital – e nos convoca a não deixar a chama se apagar. Porque a revolução chamada Grêmio Livre não terminou em 1985: ela acorda todos os dias no primeiro aluno que ousa pedir a palavra”, salienta.
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