
A Justiça Federal do Rio de Janeiro recebeu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 12 ex-executivos da Americanas no processo sobre a fraude bilionária revelada pela varejista em 2023. Segundo o Uol, a decisão foi tomada na quinta-feira (15) pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio. A ação penal tramita em segredo de Justiça.
Entre os réus está Miguel Gutierrez, ex-presidente da companhia, apontado pelo MPF como líder do esquema. Também responderão à ação Anna Saicali, José Timótheo de Barros, Anna Christina Sotero, Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Lapagesse, Luiz Saraiva e Jean Pierre Lessa.
A denúncia atribui aos acusados crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Parte deles também responderá por uso de informação privilegiada. Segundo o MPF, os antigos executivos apresentavam números falsos ao conselho de administração da Americanas e ao mercado de capitais.
A acusação foi apresentada em março de 2025 e inicialmente alcançava 13 ex-funcionários. Um deles, o ex-diretor Márcio Cruz, firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público em outubro daquele ano. Os outros 12 passaram à condição de réus com o recebimento da denúncia.

A decisão ocorreu mais de um ano após a apresentação da acusação. Entre os motivos da demora esteve uma disputa sobre o acesso às provas: as defesas reclamaram da dificuldade de consultar o material, reunido em 48 discos rígidos. Também foi realizado um procedimento para verificar a integridade dos arquivos.
A Americanas revelou inconsistências contábeis de aproximadamente R$ 20 bilhões em janeiro de 2023, antes de pedir recuperação judicial. Em 2024, uma investigação interna reuniu novas mensagens entre Gutierrez e integrantes da antiga diretoria. A apuração da PF e do MPF continua: em junho deste ano, uma nova fase da Operação Disclosure passou a investigar o papel de bancos e a possível participação de acionistas.
Em nota, a Americanas afirmou não ter tido acesso à decisão e disse confiar no trabalho das autoridades. A companhia sustenta que foi vítima de uma fraude estruturada, praticada por ex-executivos que teriam manipulado controles internos, registros contábeis e informações relevantes ao mercado.