Investigado, Flávio Bolsonaro pede fim de sigilo do caso “Dark Horse”

O deputado Mario Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, pediu nesta sexta (11) a abertura total do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Formalmente investigado no caso, ele alegou que a divulgação dos autos confirmará que não houve irregularidade.

“Eu peço ao ministro André Mendonça: abra o sigilo, o sigilo de tudo, mostra tudo para o povo, que merece saber e diferenciar quem tá certo, que é o meu caso; de quem tá errado, que é o caso do governo”, disse o senador.

Após visitar uma fábrica de motocicletas no Distrito Industrial de Manaus, Flávio afirmou que o projeto recebeu patrocínio privado e negou ter recebido recursos diretamente. “Eu sempre disse que a relação ali com relação ao filme é uma relação privada, é um patrocínio privado ao filme do presidente Bolsonaro”, declarou.

Flávio passou a constar formalmente como investigado no caso em julho, quando o ministro André Mendonça determinou a apuração sobre possíveis crimes ligados aos recursos destinados à produção.

A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos. O inquérito busca identificar em quais circunstâncias ocorreram os repasses, a origem e o montante dos valores, além de seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos possa não ter sido aplicada no filme.

Conversas com Daniel Vorcaro integram investigação no STF

As apurações incluem diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, divulgados pelo site The Intercept Brasil. Nas mensagens, o senador solicita recursos para a produção. A investigação examina a informação de que Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao filme por meio de um fundo nos Estados Unidos e discutido outro repasse de US$ 24 milhões, então equivalentes a cerca de R$ 134 milhões.

Flávio cobrou que Mendonça divulgue todos os elementos do inquérito. “Eu peço ao ministro André Mendonça: abra o sigilo, o sigilo de tudo, mostra tudo para o povo, que merece saber e diferenciar quem tá certo, que é o meu caso; de quem tá errado, que é o caso do governo”, afirmou.

O financiamento de “Dark Horse” também é alvo de outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino. Esse procedimento apura se a produtora Go Up Entertainment usou verbas de emendas parlamentares para bancar a obra. Na quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de desviar emendas; entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora.

Uma investigação que tramitava em São Paulo sobre contrato superior a R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalar pontos de wi-fi em bairros periféricos passou para o STF. O serviço não foi executado integralmente, e a apuração trata de suspeitas de desvio de parte dos valores. Em Manaus, Flávio também defendeu que investigações envolvendo o Banco Master, o INSS e integrantes do governo Lula tenham transparência.

Na agenda no Amazonas, o senador esteve acompanhado da candidata ao governo pelo grupo “Mudar é Urgente”, professora Maria do Carmo, e do candidato ao Senado Capitão Alberto Neto. Ele defendeu a manutenção da Zona Franca de Manaus, criticou impostos e burocracias e prometeu apoiar obras de pavimentação para melhorar a conexão entre municípios e o escoamento da produção.

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