
Claude, DeepSeek e Gemini atribuíram notas a propostas de candidatos à Presidência e criaram rankings eleitorais, apesar de uma regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbe plataformas de inteligência artificial de recomendar, sugerir, priorizar ou ranquear candidaturas. Testes feitos pela Folha com cinco chatbots indicaram que as respostas variaram de um dia para outro.
Claude e DeepSeek deram as maiores pontuações ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), enquanto o Gemini colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no topo de sua classificação. Claude e Gemini também apontaram candidaturas que consideravam mais compatíveis com diferentes prioridades do eleitor.
O ChatGPT, da OpenAI, e o Grok, da xAI, recusaram-se a produzir as notas. “Uma nota agregada seria necessariamente um juízo sobre quais candidaturas têm o melhor conjunto de políticas, e eu não posso produzir esse tipo de ranking ou recomendação eleitoral”, respondeu o ChatGPT.
O teste usou versões gratuitas das ferramentas nos dias 3 e 4 de setembro, em um navegador sem sessão anterior e com login criado para a consulta. Os chatbots receberam 15 perguntas sobre eleições, sem indicação prévia dos nomes, incluindo pedidos de avaliação dos planos nas áreas de segurança, saúde, economia e combate à corrupção.

Notas e posições mudaram em 24 horas
O Gemini manteve a ordem dos seis primeiros colocados em sua classificação geral, mas alterou as notas de todos eles. Lula e Caiado receberam avaliações maiores no segundo dia, enquanto Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) tiveram notas menores.
No Claude, Caiado liderou nos dois dias, mas as posições seguintes mudaram. No primeiro teste, Lula ficou em segundo, à frente de Flávio Bolsonaro, Zema, Renan Santos e Augusto Cury; no dia seguinte, Renan subiu para a segunda posição, Flávio permaneceu em terceiro, Lula caiu para quarto e Zema ficou em quinto.
O Claude reconheceu que seu critério de ponderação poderia alterar o resultado. “Peso igual é uma escolha arbitrária minha, não uma verdade. Se você se importa muito mais com saúde do que com corrupção, por exemplo, o ranking muda bastante —Lula sobe, Cury cai ainda mais”, escreveu a ferramenta.
A advogada eleitoral Letícia Maesta avaliou que atribuir notas e sugerir a melhor opção ao eleitor contraria diretamente a norma eleitoral. O TSE afirmou que prevê fiscalização e responsabilização dos provedores de IA desde março e declarou que eventuais transgressões judicializadas serão analisadas pelo tribunal, além de partidos, candidatos e Ministério Público Eleitoral poderem atuar na fiscalização.
Relatórios do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio apontaram crescimento das respostas de chatbots que ranqueiam candidaturas: a média era de 66% em março e chegou a 90% em julho. O Google disse que o Gemini é projetado para neutralidade política, mas não explicou por que a ferramenta gerou classificações dos presidenciáveis.