Instituto de Mendonça recebeu R$ 5,2 milhões de ex-sócio de Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

O Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding controlada pelo empresário mineiro Lucas Kallas, ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo a coluna de Cézar Feitoza no UOL. O repasse integrou um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024, modalidade que permite à credora transformar o valor em participação societária ou cobrar a devolução do dinheiro.

O contrato previa R$ 5,9 milhões em repasses, mas o Iter interrompeu a operação e iniciou a devolução dos recursos em janeiro de 2026. No mês seguinte, Mendonça se tornou relator das investigações sobre o Banco Master após sorteio no STF. O instituto afirmou que decidiu antecipar o vencimento da dívida porque já tinha sustentabilidade financeira.

Em nota, o Iter informou que fixou a taxa Selic para a devolução e já pagou cerca de 5,3% do total devido. A entidade disse que depositou todos os recursos em sua conta de pessoa jurídica e os aplicou exclusivamente na estruturação e nas atividades institucionais.

A negociação envolveu o presidente do Iter e ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, além de Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, representantes da Cedro. O instituto declarou que Mendonça e Kallas não discutiram os termos da operação. O ministro deixou a entidade no início de setembro, e o Iter afirmou que ele atuava apenas como docente no âmbito acadêmico, sem receber dividendos ou participação nos resultados.

Relações empresariais de Lucas Kallas com negócios ligados a Vorcaro

Daniel Vorcaro, dono do Master, e o empresário mineiro Lucas Kallas. Foto: Reprodução

Kallas foi sócio em empresas que também tiveram investimentos de grupos de Vorcaro. A Cedro detinha 8% da companhia de biotecnologia Biomm no fim de 2023; em fevereiro de 2024, a gestora WNT, ligada ao banqueiro e Nelson Tanure, comprou ações da empresa. Kallas também investiu na Latache Capital e adquiriu 33% da gestora em 2025.

A Cedro alegou que Vorcaro não manteve qualquer vínculo societário ou empresarial com seus negócios ou controladas. A holding declarou que investimentos de fundos e instituições financeiras em companhias abertas não configuram sociedade comercial e afirmou que deixou a Biomm e a Latache em abril de 2026 para concentrar investimentos na mineração.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele e Kallas viajaram a Caracas, na Venezuela, no fim de novembro de 2023, para discutir negócios no setor petroleiro.

Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bancárias envolvendo Vorcaro e o Banco Master, e a Cedro não figura nos inquéritos do caso.

A Polícia Federal indiciou Kallas em junho por suspeitas de irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte. A defesa afirmou que os fatos já haviam sido investigados e arquivados pela Justiça e declarou que o empresário deixou definitivamente o negócio investigado em 2017.

Mendonça também confirmou um encontro com Vorcaro no Iter, em março de 2025, e disse que trataram de créditos de precatórios; no julgamento do tema, o STF decidiu por unanimidade contra a posição defendida pelo banqueiro.

Artigo Anterior

Governo Lula reajusta Bolsa Família em 15%

Próximo Artigo

Lula anuncia reajuste de 15,04% no Bolsa Família; piso sobe de R$ 600 para R$ 691

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!