Harvard transforma professores em clones de IA para curso de US$ 699

Jeff Bussgang, professor da Harvard Business School representado por um clone de inteligência artificial
Jeff Bussgang, cofundador da Flybridge Capital e professor sênior da Harvard Business School. Foto: Reprodução/Cassandra Klos(NYT)

A Harvard Business School passou a oferecer um curso intensivo de empreendedorismo que usa clones de inteligência artificial de seus professores para orientar fundadores de startups. Chamado HBS Foundry, o programa dura oito semanas, custa US$ 699 — cerca de R$ 3.600 — e já passou por testes com mais de cem universidades nos 50 estados dos Estados Unidos. Com informações da Folha de S.Paulo.

O curso acompanha os participantes desde o refinamento de uma ideia até a apresentação do negócio a investidores e clientes. O ambiente virtual combina conteúdo da escola, uma comunidade de empreendedores, agentes de IA e simulações de videochamadas para treinar reuniões de vendas, conversas com conselhos e apresentações.

Um dos avatares reproduz Jeff Bussgang, cofundador da Flybridge Capital e professor sênior da Harvard Business School. Após conversar com a própria versão digital, Bussgang classificou a experiência como um pouco “assustadora”, mas acrescentou: “Meus alunos adoram”.

Fundadores experientes, investidores e professores também conduzem sessões semanais ao vivo. A instituição pretende usar o Foundry para alcançar um público muito maior que os cerca de 900 estudantes admitidos anualmente em seu MBA, recorrendo à IA para ampliar o atendimento sem depender apenas da disponibilidade dos docentes.

Winston Weinberg, à esquerda, e Gabe Pereyra, os fundadores da Harvey. Foto: Reprodução/Stella Kalinina (NYT)

Curso foi ajustado para oferecer orientação mais rigorosa

Quando o desenvolvimento começou, em 2024, a equipe imaginava uma janela de conversa semelhante ao ChatGPT. Depois do lançamento de uma versão experimental em outubro, os participantes pediram uma experiência mais guiada, o que levou ao formato disponível desde abril. Nos testes, a inclusão da fotografia de um professor no chatbot também elevou o engajamento e a confiança dos usuários, segundo Katharina Rings, diretora do projeto.

A escola programou os agentes para evitar respostas excessivamente elogiosas e manter o rigor associado às avaliações da instituição. Tom Eisenmann, copresidente do corpo docente no projeto, afirmou que praticamente nenhuma ideia recebeu aprovação na primeira tentativa. “Chegamos literalmente a ter alguém que passou dez horas com a ferramenta, simplesmente tentando e tentando”, disse.

Pranav Sultania, doutorando em engenharia mecânica na Boston University e fundador da Magnesis Robotics, usou os avatares para tornar sua apresentação mais objetiva. Os agentes o pressionaram a escolher uma aplicação específica para sua tecnologia de propulsão eletromagnética. “Eu meio que quero ter à disposição uma plataforma com a qual possa conversar quando quiser, mesmo que seja um clone”, afirmou.

Cerca de 45% dos fundadores das turmas de verão pagaram individualmente pelo curso; os demais receberam patrocínio de universidades ou participaram de testes gratuitos. Aproximadamente 760 chegaram ao programa por meio das instituições de ensino. A Georgia Tech incorporou o Foundry a uma oficina de 12 semanas para doutorandos e professores e assinou um acordo para continuar oferecendo a ferramenta a estudantes de pós-graduação.

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