Governo Trump planeja receber mais 17,5 mil africânderes brancos como refugiados

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Grupo de sul-africanos brancos que receberam status de refugiado após serem considerados vítimas de descriminação por Trump. Foto: Jonathan Ernst/Reuters

O governo de Donald Trump planeja receber nos Estados Unidos até 17,5 mil africânderes brancos da África do Sul como refugiados nos próximos 12 meses, segundo uma notificação enviada ao Congresso estadunidense nesta terça-feira (22) e obtida com exclusividade pela CBS News.

De acordo com o Departamento de Estado, o governo pretende reservar 17,5 mil vagas para refugiados no ano fiscal de 2027, que começa em outubro. A maior parte dessas vagas será destinada aos africânderes, grupo formado principalmente por descendentes de colonos europeus, sobretudo holandeses.

A política representa uma exceção dentro da ampla redução do programa de reassentamento de refugiados promovida pelo segundo governo Trump. Enquanto o governo estadunidense praticamente interrompeu o acolhimento de pessoas que fogem de perseguições e conflitos em outras partes do mundo, os africânderes receberam tratamento diferenciado, com milhares de pessoas reassentadas nos Estados Unidos ao longo do último ano e meio.

A administração Trump sustenta que os africânderes são vítimas de perseguição racial na África do Sul. O governo sul-africano, por sua vez, nega reiteradamente que exista uma política de perseguição contra essa minoria étnica.

Em documento enviado ao Congresso, o Departamento de Estado afirmou que os africânderes enfrentam confisco de propriedades agrícolas sem indenização, políticas governamentais que, segundo a administração estadunidense, procuram eliminar a igualdade de oportunidades no emprego, na educação e nos negócios, além de uma retórica de ódio que estaria contribuindo para uma violência desproporcional contra minorias raciais.

Programa custará US$ 500 milhões

Segundo a notificação enviada ao Congresso, o programa de reassentamento de africânderes deverá custar aproximadamente US$ 500 milhões aos cofres estadunidenses.

O governo Trump afirma esperar que os africânderes se integrem plenamente à sociedade estadunidense e que o processo preserve os recursos dos contribuintes dos Estados Unidos.

A administração também declarou não esperar que outros países participem de programas semelhantes de reassentamento de africânderes.

A medida ocorre poucos dias depois de os Estados Unidos anunciarem novas sanções contra autoridades sul-africanas que, segundo o governo Trump, seriam responsáveis por discriminação contra africânderes.

Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Molly Riley/Casa Branca

Trump fala em “genocídio”

Trump tem afirmado repetidamente que agricultores brancos sul-africanos são vítimas de um suposto “genocídio”.

A questão chegou a provocar um confronto diplomático entre Trump e o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, durante uma reunião no Salão Oval no ano passado. Na ocasião, Trump apresentou ao líder sul-africano um vídeo que mostrava assassinatos de agricultores no país e usou as imagens para sustentar suas alegações.

As afirmações, entretanto, são contestadas.

Uma reportagem do programa “60 Minutes”, da CBS, ouviu africânderes que rejeitaram a ideia de que a população branca esteja sendo vítima de um genocídio na África do Sul. Segundo os entrevistados, os assassinatos em propriedades rurais fazem parte de um problema mais amplo de criminalidade que atinge sul-africanos de diferentes grupos raciais.

A própria reportagem da CBS destaca, portanto, a diferença entre a justificativa apresentada pelo governo Trump para o programa de refugiados e os relatos de africânderes que não consideram existir um genocídio contra a população branca.

Com a nova previsão de 17,5 mil vagas, os Estados Unidos ampliam uma política de acolhimento direcionada especificamente aos africânderes enquanto restringem de maneira mais ampla o programa estadunidense de reassentamento de refugiados.

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