
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) não explicou os valores de passagens internacionais usadas pelo coronel Henguel Ricardo Pereira, secretário-executivo da Segurança Pública de São Paulo, segundo a coluna de Alfredo Henrique no Metrópoles. Um bilhete de ida e volta ao Japão, utilizado em junho de 2024, custou R$ 63.686,21, conforme registro no Portal da Transparência.
A administração estadual também não justificou o preço de R$ 48.493,96 pago no trecho entre Budapeste, na Hungria, e São Paulo, realizado em outubro. Ao responder sobre as missões, o governo afirmou que as viagens tiveram caráter institucional e técnico, mas não tratou diretamente dos custos dos bilhetes.
Os valores superam referências comerciais citadas para a classe executiva. Em fevereiro de 2024, por exemplo, a Turkish Airlines oferecia o percurso São Paulo–Tóquio–São Paulo por R$ 20.947 para viagens entre abril daquele ano e janeiro de 2025, valor inferior a um terço do gasto vinculado a Henguel.
Outro deslocamento do coronel, entre São Paulo e Madri, na Espanha, registrou R$ 34.902,50 em março de 2025. Uma oferta divulgada em dezembro de 2024 indicava ida e volta entre as duas cidades em classe executiva por US$ 1.259, então equivalentes a cerca de R$ 7,6 mil pela cotação comercial usada como referência.

Viagem aos Emirados Árabes não tem prestação de contas disponível
Levantamento com dados públicos aponta R$ 318.506,64 em passagens aéreas e diárias vinculadas a Henguel na atual gestão estadual. Desse total, R$ 295.398,64 correspondem a voos e R$ 23.108 a diárias em território nacional; a conta não inclui ajudas de custo no exterior.
O Portal da Transparência não apresenta prestação de contas de uma viagem autorizada para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, entre 7 e 11 de maio. O Diário Oficial registrou o afastamento para participação no Crisis & Emergency Management Summit, mas o governo não informou quem pagou passagem, hospedagem, alimentação e outras despesas.
Henguel comandou a Casa Militar e coordenou a Defesa Civil paulista entre janeiro de 2023 e fevereiro deste ano. Depois, assumiu a Secretaria-Executiva da Segurança Pública, cargo subordinado apenas ao secretário Osvaldo Nico Gonçalves.
O governo afirmou que as missões atenderam a ações de cooperação, intercâmbio e prevenção de desastres. Como resultado, citou a Sala SP Sem Fogo, implantada em 2025 e inspirada em práticas conhecidas durante intercâmbio técnico em Portugal, além da ampliação de radares, sirenes e do monitoramento meteorológico.