
O governo Lula classificou como injusto e discriminatório o tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros durante reunião virtual nesta segunda (31) com Jamieson Greer, representante comercial americano. O encontro marcou a primeira negociação bilateral desde o anúncio das novas medidas, em julho.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, afirmaram que o Brasil não aceita as medidas unilaterais. Em nota conjunta, os ministérios disseram que as sobretaxas “não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”.
Brasil e Estados Unidos acertaram uma nova reunião em nível ministerial, ainda sem data definida, para analisar o andamento das tratativas. Antes disso, equipes técnicas dos dois países devem se reunir nas próximas semanas.
O Itamaraty informou que os próximos encontros de alto nível poderão ocorrer de forma presencial ou virtual. O governo brasileiro declarou estar aberto ao diálogo e citou os laços históricos de amizade e comércio entre os dois países.
Uma fonte do governo avaliou que a reunião não deveria produzir avanços imediatos, mas considerou positivo manter os canais de negociação ativos. A expectativa agora recai sobre as conversas técnicas, que devem tratar dos pontos específicos levantados por Washington.

Tarifas atingem quase 4 mil produtos brasileiros
Os EUA aplicaram duas sobretaxas sobre mercadorias brasileiras. A primeira, de 25%, cita supostas práticas comerciais desleais; a segunda, de 12,5%, aponta falhas no combate à entrada de produtos feitos com trabalho forçado e substituiu a tarifa global de 10% que vigorava até julho.
As duas cobranças alcançam simultaneamente 3.985 produtos exportados pelo Brasil, equivalentes a US$ 10,8 bilhões, ou cerca de R$ 55 bilhões, conforme cálculo da Confederação Nacional da Indústria. O governo teme que as barreiras permaneçam por longo prazo caso não haja acordo.
Neste mês, a União iniciou os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, que autoriza resposta a medidas comerciais consideradas injustas ou desproporcionais. Nesta etapa inicial, o governo procurou os EUA e abriu consultas com ministérios para avaliar possíveis ações.