Gonet fica fora de parecer da PGR que pediu abertura total do caso Master

Paulo Gonet, procurador-Geral da República. Foto: reprodução

O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, assinou o parecer que pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a derrubada integral do sigilo da Operação Compliance Zero, no caso Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não subscreveu a manifestação.

Segundo o Uol, o documento tem duas páginas e foi encaminhado à presidência do STF. A ausência de Gonet na assinatura ocorre enquanto o procurador-geral enfrenta questionamentos por mensagens e contatos atribuídos a ele com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O Ministério Público Federal afirmou que Gonet não pretende se declarar suspeito e deve ocupar a cadeira reservada à PGR na sessão do plenário marcada para o dia 15. O Supremo deve analisar o caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes.

No dia 9, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil pediu que Gonet fosse substituído por outro integrante do Ministério Público na ação sobre mensagens encontradas no celular de Vorcaro.

A entidade citou pedido do presidente do STF, Edson Fachin, para que o procurador-geral apresentasse “esclarecimentos acerca dos fatos, inclusive quanto às medidas adotadas no exercício do controle externo da atividade policial”.

Hindenburgo Chateaubriand Filho, vice-PGR. Foto: reprodução

Relatório da PF cita diálogos de Vorcaro com Moraes e Gonet

Relatório da Polícia Federal diz ter recuperado 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes. Em uma das conversas, o banqueiro teria perguntado ao ministro se seria possível “reverter isso com Paulo ou Andrei?”, em referência que os investigadores associaram a Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

As suspeitas também envolvem um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório Barci de Moraes, da família do ministro, e o Banco Master. O relatório aponta que Moraes revisou e alterou a versão final do documento ao menos duas vezes.

A PF também registrou telefonemas e mensagens entre Gonet e Vorcaro, intermediados pelo advogado Ciro Soares. Nos diálogos, o procurador-geral escreveu que “sente saudades” do banqueiro e o chamou de “máquina” após aceitar convite para uma degustação de uísque Macallan em Londres e pedir que o filho fosse incluído no encontro.

Quando as mensagens vieram a público, Gonet pediu ao STF o arquivamento do relatório policial, que classificou como ilegal, sem exame do mérito. Ele sustentou que uma investigação contra ministro da Corte dependeria de determinação do plenário e afirmou que o ministro André Mendonça já sabia que a PF apontaria Moraes como interlocutor de Vorcaro.

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