
A Folha de S.Paulo acusou o Metrópoles de publicar uma reportagem “mentirosa” e retaliatória ao noticiar mensagens sobre uma tentativa de Daniel Vorcaro de impedir ou suavizar um texto sobre o Banco Master. Em resposta publicada nesta sexta-feira (16), o jornal negou interferência editorial e confirmou que recebeu o banqueiro em sua sede, mas não registrou a reunião na coluna Painel, a pedido de Guilherme Barros.
Segundo o Metrópoles, Vorcaro ofereceu R$ 1 milhão ao gestor de crise para impedir a publicação. Depois que a matéria saiu, Barros cobrou a recompensa alegando que o texto havia ficado mais brando e recebeu o pagamento. A Folha afirma que Sérgio Dávila, seu diretor de Redação, desconhecia a remuneração até a divulgação dos diálogos.
O jornal sustenta que a reportagem ainda estava em apuração quando o banqueiro solicitou prazo para apresentar sua versão. Também atribui a Barros a iniciativa do encontro com Dávila e duas editoras. Sobre a ausência de registro da visita no Painel, afirma que aceitou a solicitação do assessor e que pedidos desse tipo não são incomuns.

“Os anseios de Vorcaro não foram atendidos, a reportagem não foi segurada, saiu no prazo programado, e não foi amenizada”, declarou a Folha. O jornal diz que publicou a versão original da matéria e que alterações posteriores serviram para acrescentar a prisão de Vorcaro e a liquidação do Master, com aviso aos leitores.
Na resposta, a Folha relacionou a publicação do Metrópoles a uma reportagem do UOL, reproduzida pelo jornal na véspera. A apuração apontou que ao menos 14 textos do portal haviam sido submetidos previamente a Vorcaro e que 11 sofreram alterações. Lilian Tahan, CEO do grupo, nega relação entre um contrato publicitário de R$ 20 milhões e a cobertura de interesse do banco.
A Folha também informou ter recebido R$ 516.441,60 em publicidade de negócios ligados ao banqueiro entre 2021 e 2025. O jornal comparou esse montante ao contrato mencionado na apuração sobre o Metrópoles e afirmou que seu departamento comercial não responde à direção de Redação.
O centro da divergência é o efeito da atuação de Barros sobre a reportagem publicada em agosto de 2024. Enquanto o gestor afirmou nas mensagens ter conseguido adiar e suavizar o texto, a Folha nega as duas intervenções. O pagamento relatado foi destinado ao intermediário, sem demonstração de repasse a Dávila ou às jornalistas responsáveis pela matéria.