
A inteligência artificial pode afetar cerca de 40% dos empregos no mundo, alertou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, nesta segunda-feira (12). Ela descreveu a transformação como um tsunami de movimento lento durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangcoc, na Tailândia.
O percentual se refere a empregos expostos a mudanças provocadas pela tecnologia, incluindo automação de tarefas e transformação das funções. Não é uma previsão de que 40% dos trabalhadores serão demitidos.
Georgieva destacou o risco para jovens que buscam o primeiro emprego. Atividades administrativas e repetitivas, que frequentemente oferecem uma porta de entrada profissional, estão entre as mais suscetíveis à automação. A redução dessas oportunidades também pode dificultar a formação de experiência.

O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, apontou outro desafio: cerca de 1,2 bilhão de jovens deverão chegar à idade de trabalhar nos países em desenvolvimento nos próximos 10 a 15 anos, diante de uma projeção de 400 milhões de novos empregos. A diferença de 800 milhões indica um desafio de absorção, não uma estimativa fechada de desempregados.
O presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, defendeu incentivos à contratação e apoio a recém-formados. Os dirigentes também destacaram a necessidade de investimento em infraestrutura e qualificação, para que ganhos de produtividade não convivam com a redução das oportunidades de trabalho.