Flávio Bolsonaro quer “inspiração” de Milei: 2,9 milhões de novos pobres na Argentina

Miséria na Argentina

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro quer usar o governo de Javier Milei como inspiração para conduzir a economia brasileira caso o senador chegue à Presidência. A proposta foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do candidato do PL e ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro.

Segundo Marques, Flávio determinou que a equipe trabalhe para revogar impostos criados ou elevados durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. A ideia, afirmou ela, é mapear as medidas e utilizar como referência a experiência argentina sob Milei.

“Flávio fez uma orientação para a equipe, para a gente trabalhar na revogação e voltar atrás em todos os impostos criados ou elevados pelo Haddad. Já temos mais de mil normas mapeadas para revogar, usando um pouco de inspiração no que foi feito no governo Milei na Argentina”, afirmou Marques nesta segunda-feira (14), durante evento do grupo Esfera, do mesmo dono da CNN, que teve Daniel Vorcaro como patrocinador de eventos.

“Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, completou.

O modelo que a campanha de Flávio apresenta como exemplo para o Brasil enfrenta, na própria Argentina, uma reversão em um de seus principais indicadores sociais: a pobreza.

Estimativas privadas apontam que cerca de 1,7 milhão de argentinos entraram na pobreza apenas no primeiro semestre de 2026. O número definitivo será divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) em 24 de setembro, quando forem publicados os dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) referentes aos primeiros seis meses do ano.

Segundo estimativa da consultoria ExQuanti, o número de pessoas abaixo da linha da pobreza passou de 13,4 milhões no segundo semestre de 2025 para 15,1 milhões no primeiro semestre de 2026. São, portanto, aproximadamente 1,7 milhão de novos pobres em apenas seis meses.

Se a comparação for ampliada para o momento em que a tendência começou a mudar, nos últimos três meses de 2025, o aumento chega a 2,9 milhões de pessoas.

A taxa de pobreza, que ficou em 28,2% no segundo semestre de 2025, pode alcançar entre 30% e 31,6% no primeiro semestre deste ano, dependendo da projeção considerada.

O próprio governo argentino admite a possibilidade de uma alta. Fontes oficiais ouvidas pelo jornal “La Nación” projetaram uma taxa entre 30% e 31%, o que representa um aumento de dois a três pontos percentuais.

A estratégia oficial continua baseada na manutenção do superávit fiscal e no processo de desinflação. O problema é que outros indicadores também apontam dificuldades para os trabalhadores argentinos.

O emprego privado assalariado formal acumula 13 meses de retração, enquanto estimativas privadas indicam que a recuperação dos rendimentos reais perdeu força.

A ExQuanti também chamou atenção para o comportamento das cestas usadas para calcular as linhas de pobreza e indigência. Em agosto, elas teriam subido acima da inflação geral.

A recuperação da renda dos trabalhadores está praticamente estagnada desde o terceiro trimestre de 2025. No primeiro trimestre de 2026, segundo o levantamento, a renda média real dos ocupados ainda estava 13% abaixo do nível registrado no terceiro trimestre de 2017.

O economista Martín González Rozada, da Universidade Torcuato Di Tella, projetou uma taxa de pobreza de 31,6% entre janeiro e junho, acima dos 28,2% registrados no semestre anterior.

Agustín Salvia, coordenador do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), afirmou que a pobreza “deixou de cair e tendeu a aumentar já desde o último trimestre do ano passado”. Segundo ele, os dois primeiros trimestres de 2026 mantiveram essa tendência.

A promessa apresentada por Daniella Marques é de uma ampla revisão da política tributária do governo Lula, com a revogação de mais de mil normas relacionadas a impostos criados ou elevados durante a gestão Haddad. A inspiração, segundo ela própria, vem de Milei.

A experiência argentina é um desastre ferroviário. Flávio Bolsonaro quer recuperar a política de genocídio do pai, agora por meio da economia.

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