
Um levantamento do Aos Fatos apontou 43 declarações falsas do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master. A apuração reúne falas feitas ao longo de seis meses e registra mudanças na versão do parlamentar à medida que surgiram mensagens, encontros e documentos relacionados ao caso.
A contradição mais recente ocorreu nesta quinta (24), após documentos da Polícia Federal indicarem que Flávio viajou dos Estados Unidos ao Brasil em um jatinho ligado a Vorcaro. O senador havia atacado o ministro Alexandre de Moraes por usar, em agosto de 2025, uma aeronave de empresa da qual o ex-banqueiro era sócio.
Flávio afirmou que as situações seriam diferentes porque o avião em que viajou pertenceria ao advogado Willer Tomaz, e não a Vorcaro. Documentos citados no levantamento indicam que o banqueiro detinha um terço das cotas da aeronave por meio da empresa Prime You.
Antes de Vorcaro ser preso pela segunda vez, em março, o senador disse que o caso do Banco Master ocorria durante o governo Lula e não alcançaria a direita. Em 24 de março, declarou que “a conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”, embora governos comandados por aliados bolsonaristas também tivessem aplicado fundos previdenciários no banco.
🇧🇷 Desmascarado
“Nunca entrei em avião do Vorcaro': declaração de Flávio Bolsonaro sobre jatinho viraliza após voo com a família em aeronave do ex-banqueiro em janeiro de 2025. Saiba mais: https://t.co/exU6gyuLK8 pic.twitter.com/u1MJglDLU7— 🪶Porã ( Humanista) 🏹🌳 🐆 (@LilliunAzules) September 24, 2026
Mensagens e investigação sobre o filme “Dark Horse”
Em 13 de maio, o Intercept Brasil divulgou mensagens nas quais Flávio teria negociado R$ 134 milhões para a produção de “Dark Horse”, cinebiografia ficcional do ex-presidente Jair Bolsonaro. Questionado antes da publicação, ele negou a existência das conversas e disse: “É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso?”.
Naquela noite, o senador confirmou a autenticidade das mensagens, mas negou irregularidades. Ele definiu a negociação como “apenas um filho buscando investimento privado para o filme do pai”. As conversas divulgadas mostram Flávio cobrando parcelas do investimento e tratando Vorcaro como “irmão” e “irmãozão”.
A Polícia Federal investiga se valores atribuídos a Vorcaro chegaram efetivamente à produção ou custearam despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Há indícios de aporte de ao menos US$ 12,3 milhões no filme, e o STF apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionados ao projeto.
Flávio também prometeu, em maio, divulgar as despesas do filme. Em junho, a produtora apresentou uma perícia privada que afirmou não ter encontrado dinheiro público na obra, mas o documento não detalhou notas fiscais e não teve acesso aos gastos feitos nos Estados Unidos, que representavam quase 70% das despesas.