CNBB rebate Flávio Bolsonaro e repudia acusações sem provas

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, no domingo (27), uma nota de esclarecimento para rebater a falsa acusação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência, sobre a polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida.

Segundo a entidade, “atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”.

A nota surge após o candidato bolsonarista, em agenda em Goiás, dizer que há um conluio da organização com o PT (Partido dos Trabalhadores) para prejudicá-lo. Informações que circularam nas redes sociais indicam que Flávio quer retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, assim como retirar do calendário o feriado nacional de 12 de outubro dedicado à santa.

Segundo Flávio:  “O PT  já estava, havia alguns dias, tentando levantar essa fake news e conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa é a realidade.”

A acusação sem provas de Flávio colocou os católicos no centro do debate. O senador, que é próximo de grupos evangélicos, deu um tom de guerra santa desnecessário para a disputa eleitoral. No entanto, a prática não é novidade na família. Em 2022, a campanha de Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição, disseminou notícias falsas para tentar reduzir o voto de Lula entre os católicos.

Leia mais: Dino anula decisão de Mendonça que proibiu posts sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora

Jair, que adotou uma agenda teocrática e empoderou lideranças evangélicas enquanto esteve no poder, foi o primeiro a acirrar uma oposição religiosa. Como parte dessa ideia, indicou André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir a promessa de que a escolha seria necessariamente por um ministro “terrivelmente evangélico”.

Ao manter a linha do pai e acentuar relações com figuras como Silas Malafaia e André Valadão, este último associado a Daniel Vorcaro, do banco Master, Flávio levanta o alerta de que essa situação pode se agravar em um eventual governo.

Polêmica

A polêmica surgiu com a rememoração espontânea, por internautas, do projeto (PL 2623/2007) do bolsonarista Victorio Galli, então deputado federal, que foi arquivado. A ideia era alterar o título da santa de “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Galli foi nomeado assessor especial da Presidência da República, em 2019, por Jair Bolsonaro, permanecendo alguns meses no cargo.

O fato de o projeto arquivado ter voltado às redes associado ao seu nome revoltou Flávio, que negou qualquer proposta de mudança com o título de Nossa Senhora Aparecida.

No entanto, para isso, acusou sem provas a CNBB, que repudiou “a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”.

Agravante

Flávio Bolsonaro já negou publicamente conhecer Daniel Vorcaro, ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro ou ter viajado em jatinho disponibilizado por ele. As investigações, no entanto, demonstraram o contrário. Ou seja, Flávio mentiu nesses casos.

Porém, no caso de Nossa Senhora, nada consta em seu programa. O que desandou nessa situação foi a falsa acusação dele contra os bispos e o PT.

Mas antes de se chegar a este ponto, outro fato já havia chamado a atenção. O ministro “terrivelmente evangélico”, André Mendonça, censurou uma postagem do humorista Antônio Tabet na qual afirmava que “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”

Leia mais: Flávio Bolsonaro veste a carapuça e vai ao TSE contra post citando “família miliciana”

A censura foi realizada a pedido da campanha de Flávio, porém, em nenhum momento ele ou a família são citados. Assim, a reação dos bolsonaristas foi interpretada pelos críticos como uma admissão de vínculo com as milícias, o famoso “a carapuça serviu”.

O ato sem precedentes de Mendonça se estendeu para as demais publicações que associassem Nossa Senhora Aparecida a uma tentativa de diminuição por parte da família Bolsonaro. Posteriormente, o ministro Flávio Dino derrubou o ato de censura, que será analisado pelo plenário do STF.

Confira a seguir a nota completa da CNBB:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Diante de informações e manifestações que circulam nas redes sociais envolvendo o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esclarecemos:

A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral.

A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.

A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência.

Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.

A CNBB reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.

Brasília – DF, 27 de setembro de 2026

Assessoria de Comunicação Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

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