Senado realiza nesta quarta-feira (7) a segunda sessão de debate sobre a proposta que acaba com a escala 6×1. Presidente da Casa, Davi Alcolumbre, indicou que votação em primeiro turno deve ocorrer na próxima semana
O Senado realiza nesta quarta-feira (7) a segunda sessão de discussão sobre as propostas que tratam do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho. O tema, que mobiliza trabalhadores em todo o país, deve avançar para a votação em primeiro turno na próxima semana, conforme sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A discussão ocorre em meio à crescente mobilização de sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores pela adoção de uma jornada que garanta mais tempo para descanso, convivência familiar, estudos, lazer e cuidados com a saúde.
A proposta em debate prevê o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais, sem redução de salários, com a garantia de dois dias de descanso por semana.
Resistência à mudança
Enquanto a mobilização pelo fim da escala 6×1 cresce, setores da direita se posicionam contra a medida. O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) criticou a proposta e defendeu uma jornada de trabalho considerada por ele mais flexível, sob o argumento de garantir “liberdade para o trabalhador”.
Para as entidades representativas da classe trabalhadora, entretanto, a discussão não pode ser reduzida à ideia de uma suposta liberdade individual para negociar jornadas. O debate envolve direitos trabalhistas, saúde, qualidade de vida e a necessidade de estabelecer limites à exploração da força de trabalho.
A redução da jornada sem diminuição salarial é uma reivindicação histórica do movimento sindical e vem sendo defendida como uma medida capaz de melhorar as condições de vida dos trabalhadores, além de contribuir para a geração de empregos e para o aumento da produtividade.
“Tempo é vida”, afirma Adilson Araújo
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, tem defendido que o fim da escala 6×1 seja tratado como uma prioridade pelo Congresso Nacional.
Em artigo publicado pela CTB, Adilson destacou as manifestações realizadas em diversas cidades brasileiras em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial.
“Tempo é vida e a classe trabalhadora está cansada de comprometer a maior parte do seu tempo de vida com uma jornada exaustiva.”
Para o presidente da CTB, as manifestações deram um recado claro ao Senado. Segundo ele, milhares de trabalhadores foram às ruas para denunciar uma rotina que compromete a saúde, a convivência familiar e a qualidade de vida.
“O recado das ruas ao Senado foi claro: tempo é vida”, afirmou Adilson, ao destacar que a mobilização expressa o cansaço de milhões de brasileiros submetidos a jornadas extensas e a apenas um dia de descanso semanal.
Saúde e qualidade de vida
Em seu artigo, Adilson Araújo chama atenção para os impactos da escala 6×1 sobre a saúde física e mental dos trabalhadores.
Ele cita o relato da operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves, de 22 anos, que durante uma manifestação no Rio de Janeiro resumiu a situação enfrentada por muitos trabalhadores: “Nós estamos cansados!”
Segundo o presidente da CTB, a realidade descrita pela trabalhadora evidencia como a atual organização da jornada limita o tempo destinado à família, ao cuidado pessoal, aos estudos e ao descanso.
Fátima relatou que trabalha oito horas por dia em pé e afirmou que o fim da escala 6×1 representaria a possibilidade de ter mais tempo para cuidar da saúde, da casa e da família.
“Tempo para cuidado físico, mental, da minha casa, da minha família, passar mais tempo com eles. Hoje eu não tenho tempo de qualidade com a minha família. Não tenho tempo de cuidar da minha saúde”, afirmou a trabalhadora.
Para Adilson, o debate sobre a jornada ultrapassa a dimensão econômica e envolve diretamente a dignidade humana.
“Mentalidade escravocrata”
No artigo, o presidente da CTB também critica o que classifica como uma “mentalidade de Casa Grande” ainda presente nas relações de trabalho no Brasil.
Segundo ele, a discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve saúde física e mental, mobilidade social, emancipação das mulheres, convivência familiar e dignidade dos trabalhadores.
Adilson também rebate o argumento de que a redução da jornada provocaria necessariamente prejuízos econômicos. Ele destaca experiências históricas e estudos que apontam possíveis ganhos de produtividade, geração de empregos e redução de problemas relacionados ao excesso de trabalho, como estresse, burnout e acidentes.
“Uma classe trabalhadora exausta e doente não é muito produtiva”, afirma.
CTB cobra do Senado aprovação da proposta
Com a discussão avançando no Senado, a CTB reforça a necessidade de que os parlamentares assumam compromisso com a redução da jornada e o fim da escala 6×1.
Para Adilson Araújo, a responsabilidade agora está nas mãos do Senado e não pode haver novas manobras para adiar a votação.
“A bola está com o Senado”, afirma o presidente da CTB. Para ele, qualquer tentativa de postergar a apreciação da proposta representa desrespeito às reivindicações apresentadas pela classe trabalhadora nas ruas.
A Central defende uma jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso e a manutenção dos salários. A entidade considera a mudança um avanço civilizatório e uma medida necessária para que os trabalhadores tenham mais tempo de vida para além do trabalho. A expectativa agora está voltada para a votação em primeiro turno no Senado, prevista para a próxima semana. Até lá, sindicatos e movimentos sociais devem manter a mobilização para pressionar os parlamentares pela aprovação do fim da escala 6×1.