
O DCM teve acesso a uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e Lilian Tahan, CEO do portal de notícias Metrópoles. A conversa aconteceu entre 14h53 e 15h29 do dia 17 de novembro de 2025, no dia da prisão de Vorcaro no aeroporto de Guarulhos.
Os diálogos indicam que Lilian e Vorcaro se encontraram pessoalmente.
Às 14h53 do dia 17, Daniel Vorcaro manda a mensagem: “Vem ainda?”. Lilian responde 15 segundos depois: “Chegando!! Tive que dar a volta aqui no quarteirão!”.
Às 15h03, Lilian manda uma nova mensagem afirmando “estou aqui!!”. Às 15h29, a jornalista compartilha uma reportagem da Folha de S.Paulo sobre o fundo Mubadala Capital.
Diz a reportagem compartilhada por Lilian Tahan para Daniel Vorcaro: “O Mubadala Capital, unidade de gestão de ativos alternativos do fundo soberano de Abu Dhabi, está avaliando um potencial investimento no Will Bank, instituição financeira digital controlada pelo Banco Master, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
A compra do Will Bank é vista como parte fundamental para reduzir o passivo do Banco Master, que em maio precisou recorrer a uma linha de liquidez do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de mais de R$ 4 bilhões. O FGC é a instituição que garante depósitos à vista e a prazo até o limite de R$ 250 mil por investidor em caso de quebra de bancos”.

Daniel Vorcaro seria preso horas depois do suposto encontro. Segundo investigadores, ele estava tentando fugir do país em 17 de novembro em um avião particular para Malta, na Europa.
Na audiência ocorrida após a prisão, os advogados disseram que o cliente não estava fugindo do país, mas sim se deslocando para uma reunião com investidores em Dubai, numa negociação que envolvia o grupo Fictor.
Vorcaro afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a venda do Will Bank para o Mubadala Capital estava praticamente concluída e seria formalizada em 18 de novembro de 2025 — justamente no dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Master.
Segundo Vorcaro, faltavam apenas as assinaturas para concluir a operação. Ele disse que o contrato com o Mubadala estava pronto e que a assinatura ocorreria na manhã do dia 18.
“Nessa semana específica [da operação] estava concluído. Faltava assinaturas. A primeira assinatura aconteceu na segunda-feira, que foi a da Fictor. No dia seguinte, iria acontecer a venda do Will Bank para o fundo Mubadala”, disse.
A declaração foi dada durante uma acareação realizada em 30 de dezembro.
A venda mencionada por Vorcaro não foi concluída. O Will Bank acabou sendo colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em 21 de janeiro de 2026.
Na ocasião, a instituição tinha cerca de 12 milhões de clientes e oferecia produtos como cartões de crédito, empréstimos e investimentos. Segundo dados citados pela CNN Brasil, o banco havia movimentado aproximadamente R$ 7,5 bilhões no ano anterior.
Master pagou R$ 27 milhões ao Metrópoles
O banco Master repassou R$ 27,2 milhões, entre 2024 e 2025, ao Metrópoles, site de notícias comandado pelo ex-senador Luiz Estevão, segundo documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O relatório registra os pagamentos como suspeitos ao apontar que o veículo fez “débito imediato” de valores recebidos do Master em direção a outras empresas da família de Luiz Estevão.
Ao Estado de S.Paulo, o ex-senador dono da empresa afirmou, em conversa gravada, que os pagamentos diziam respeito a duas coisas: patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, feita pelo Metrópoles, e venda dos naming rights da competição.