Ex-parceiro de Vorcaro que financiou instituto de Mendonça ficou fora de investigação

O empresário Lucas Kallas. Foto: reprodução

Lucas Kallas, empresário que financiou com R$ 5,2 milhões o Instituto Iter enquanto André Mendonça integrava a entidade, não é investigado na Operação Compliance Zero.

O nome dele, porém, aparece em mensagens obtidas pela Polícia Federal em referência a uma suposta sociedade com Daniel Vorcaro.

Em uma conversa registrada no dia da prisão de Vorcaro, Bruno Corrêa, réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro e parceiro do Sicário, afirmou que Kallas e Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, seriam os próximos a serem presos.

Ao explicar quem era o empresário, escreveu: “Kallas é um bilionário sócio dele na mineração e no hospital”.

A PF identificou o empresário mencionado na conversa como Lucas Kallas. A Cedro Participações, controlada por ele, foi justamente a empresa que repassou R$ 5,2 milhões ao Iter por meio de um contrato de mútuo conversível firmado em 2024. O acordo previa originalmente até R$ 5,9 milhões.

Kallas e Vorcaro tiveram investimentos simultâneos em duas companhias abertas. A Cedro contesta a caracterização de ambos como sócios e afirma que a participação em empresas de capital aberto não configurava uma sociedade comercial entre eles.

André Mendonça, ministro do STF, no Instituto Iter. Foto: reprodução

Apesar das referências encontradas nas mensagens, Kallas não foi incluído entre os investigados da Compliance Zero e a Cedro não aparece nos inquéritos sobre as supostas fraudes envolvendo o Banco Master, segundo informações publicadas pelo UOL. Não há, até agora, informação pública de que tenha sido apresentado pedido de prisão contra ele no âmbito dessa operação.

Isso não significa que Kallas esteja fora do radar da PF. Em junho, ele foi indiciado em outra investigação, relacionada à mineração em Minas Gerais. Sua defesa afirmou que confia na demonstração de sua inocência e sustentou que o indiciamento retomou fatos antigos que já haviam sido investigados.

A relação financeira com o Iter acrescenta outro elemento ao caso. Os repasses da Cedro ocorreram até o fim de 2025, período em que Mendonça ainda integrava o instituto. A devolução começou em janeiro de 2026 e, no mês seguinte, o ministro foi sorteado relator das investigações sobre o Banco Master no STF. O Iter afirma que Mendonça e Kallas não participaram da negociação dos termos, dos valores ou da assinatura do contrato.

Até o momento, também não há informação pública de que Mendonça tenha recebido ou decidido pedido da Compliance Zero especificamente relacionado a Kallas. Esse ponto se torna relevante diante da combinação de fatos já conhecida: o empresário aparece em mensagens associadas a Vorcaro, financiou com milhões de reais uma instituição então integrada pelo ministro e ficou fora da investigação do Master.

O que permanece sem esclarecimento público é se a PF aprofundou a relação descrita nas mensagens, se descartou formalmente a participação de Kallas nos fatos investigados e se alguma medida envolvendo o empresário chegou ao STF. Também falta saber como uma eventual questão envolvendo Kallas seria tratada por Mendonça diante da relação financeira da Cedro com o Iter.

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