Ex-editor acusa CBS de afastar equipe que resistiu a pressão pró-Trump

Donald Trump. Foto: Roberto Schmidt/AFP

Guy Campanile, ex-editor-chefe do “60 Minutes”, acusou a CBS News de afastar profissionais que resistiram à inclusão de informações não verificadas e de argumentos defendidos pela Casa Branca de Donald Trump nas reportagens do programa.

O jornalista, que trabalhou por 34 anos na CBS News, falou sobre sua saída quatro meses após uma sequência de demissões no “60 Minutes”. Em uma publicação privada no Facebook, obtida pelo jornal The Guardian e confirmada pela revista Entertainment Weekly, ele afirmou que a direção comprometeu a independência editorial da atração.

Campanile disse que ele e colegas recusaram participar do que chamou de “destruição” do programa sob o comando de Bari Weiss, atual chefe da divisão jornalística da emissora. Ele foi demitido em maio.

Segundo o ex-editor, a equipe rejeitou conteúdo sem possibilidade de verificação e se opôs a entrevistas que teriam sido articuladas pelo governo americano. Os profissionais também insistiam em questionar autoridades, inclusive os próprios chefes, afirmou.

Guy Campanile. Foto: Reprodução

Saídas no “60 Minutes” atingiram correspondentes e direção

Além de Campanile, deixaram o programa os correspondentes Scott Pelley, Sharyn Alfonsi e Cecilia Vega, a produtora-executiva Tanya Simon e o editor Draggan Mihailovich. Anderson Cooper encerrou sua participação anteriormente, depois de 20 anos.

O ex-editor criticou ainda a transformação do jornalismo televisivo em um produto orientado pela apresentação e pela repercussão nas redes sociais. Para ele, emissoras têm deixado assuntos complexos em segundo plano para priorizar impacto imediato, sem explicar as causas dos acontecimentos.

A CBS News não comentou as acusações de Campanile à Entertainment Weekly. Em manifestações anteriores sobre críticas semelhantes feitas por outros profissionais desligados, a emissora citou reportagens exibidas durante a gestão de Weiss que questionaram o governo Trump.

Nick Bilton, novo produtor-executivo do “60 Minutes”, disse ao The New York Times que Trump continuará submetido ao escrutínio do programa e que a mesma postura valerá para autoridades de diferentes posições políticas. A 59ª temporada estreia no domingo (13), com Ross Douthat, Sebastian Junger, Gianna Toboni e Trevor Phillips entre os novos correspondentes.

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