Entenda a condenação de bilionário dono da Evergrande à prisão perpétua

Hui Ka Yan no Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen. Foto: Reprodução

Hui Ka Yan, fundador da incorporadora chinesa Evergrande, recebeu prisão perpétua nesta quinta-feira (20) por apropriação indevida de bens e suborno corporativo. O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen também determinou o confisco de todos os bens pessoais do empresário, conhecido também como Xu Jiayin.

Hui se declarou culpado em abril de diversas acusações. Na decisão, o tribunal afirmou que ele e seus negócios “perturbaram seriamente” o mercado imobiliário da China e provocaram perdas econômicas significativas.

As antigas empresas do empresário receberam multas que somam 15,82 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de R$ 11 bilhões. As punições envolvem crimes como falsificação de registros e ocultação de dívidas.

Dois filhos de Hui, Xu Zhijian e Xu Tenghe, estão entre os executivos da Evergrande condenados no caso. As penas aplicadas a antigos dirigentes da companhia variam de 22 meses a 18 anos de prisão, segundo a mídia estatal chinesa.

Fachada da sede da Evergrande na China. Foto: reprodução

Expansão com dívida levou a Evergrande ao colapso

Hui fundou a Evergrande em 1996, após crescer em uma área rural da China sob os cuidados da avó. Ele comandou a expansão acelerada da empresa com grandes volumes de empréstimos, estratégia que transformou o grupo na maior incorporadora do país.

No auge, a Evergrande superou US$ 50 bilhões em valor de mercado, cerca de R$ 258 bilhões. Hui chegou a figurar como o homem mais rico da Ásia antes de sua fortuna e influência diminuírem com a crise da empresa.

Pequim impôs regras para limitar o endividamento das incorporadoras em 2020, e a Evergrande passou a enfrentar dificuldades para pagar juros. A companhia vendeu imóveis com descontos expressivos e entrou em colapso no ano seguinte.

O tribunal ouviu em abril que a empresa captou milhões de dólares para novos empreendimentos, mas deixou centenas de projetos inacabados. Em março de 2024, Hui já havia recebido multa de US$ 6,5 milhões e uma proibição permanente de operar no mercado de capitais chinês por inflar em US$ 78 bilhões a receita da companhia.

As ações da Evergrande perderam 99% do valor antes de a Bolsa de Hong Kong retirá-las de negociação, em agosto de 2025. A crise da empresa se espalhou pelo mercado imobiliário chinês, setor que chegou a representar aproximadamente um terço do Produto Interno Bruto do país.

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