
O empresário Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou uma carta ao ministro André Mendonça e aos demais integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a revogação de sua prisão preventiva. No documento, ele negou participação em esquemas criminosos e afirmou que mantém apenas negócios comerciais honestos.
“Eu, Henrique Moura Vorcaro, declaro falar a verdade, nada além da verdade, em nome de Deus e da justiça, sob pena de perjúrio”, escreveu o empresário na abertura da carta. Ele está preso há cerca de quatro meses no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Minas Gerais.
Henrique contestou a conclusão da Polícia Federal de que teria atuado como “mandante” ou “chefe” de um núcleo violento destinado a intimidar adversários. Para ele, a acusação constitui um “absurdo completo” baseado em uma narrativa “fantasiosa”.
O empresário sustentou que investigadores interpretaram de forma distorcida mensagens trocadas em relações comerciais que, segundo ele, existem há mais de cinco anos. Ele citou negócios de compra, venda e intermediação de terrenos e empreendimentos imobiliários em Campo Grande, no Rio de Janeiro, e na região de Lagoa, em Nova Lima, Minas Gerais.

Defesa separa negócios privados do Banco Master
Na carta, Henrique afirmou que expressões como “pagar turma” e cobranças urgentes integravam negociações comerciais conduzidas por parceiros que buscavam antecipar recebimentos por dificuldades financeiras. Ele mencionou tratativas com pessoas identificadas como Sr. Phillipi, Sr. Manolo e Sr. Marilson.
O pai de Daniel Vorcaro também tentou separar suas atividades privadas dos negócios do Banco Master. Ele afirmou que o filho trabalhou a seu lado dos 15 aos 33 anos, mas decidiu seguir “voo solo” e não o envolveu nas operações bancárias.
Henrique declarou que era uma pessoa “totalmente não bem-vinda” no banco e que soube dos acontecimentos na instituição financeira pela imprensa. “Até entendo os holofotes sobre o Caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel”, escreveu.
O empresário ainda negou suspeitas de obstrução de Justiça e disse usar os mesmos dois números de telefone há 30 anos. No pedido de soltura, relatou diverticulite crônica, dores abdominais, alterações de pressão, dores de cabeça e histórico de amnésia global transitória, além de afirmar que cumpre o terceiro ciclo de antibióticos na prisão.