“Eles não vão te contar”: Padilha desmonta críticas à proibição das bets e expõe impacto bilionário

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Foto: Reprodução

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, publicou um vídeo nas redes sociais para rebater críticas à proibição das bets no Brasil e reuniu uma série de dados sobre os impactos das apostas na saúde pública, nas famílias e no SUS. “Tem uma minoria que é contra essa medida. E tem coisas que eles não vão te contar”, afirmou. A medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa foi assinada pelo presidente Lula na sexta-feira (25).

Segundo Padilha, os efeitos do vício não se restringem a quem aposta. “A cada pessoa que entra na situação de perda de controle, arrasta mais seis. O filho, a esposa, a mãe, o pai. Dois em cada três apostadores de bets já estavam em situação de risco para a saúde”, disse. Ele acrescentou que pessoas em situação de vulnerabilidade econômica enfrentam risco três vezes maior de sofrimento mental relacionado às apostas.

O vídeo também destaca o impacto sobre as mulheres. De acordo com os dados citados pelo ministro, 12% das mulheres que nunca apostaram são afetadas pelo comportamento de familiares, enquanto 65% das que entram em situação de vício não procuram ajuda por vergonha.

Atendimentos por jogo patológico cresceram 140% no SUS

Padilha também relacionou o avanço das bets ao aumento da demanda no sistema público de saúde. “Os atendimentos no SUS, por conta do jogo patológico, cresceram 140% desde 2018, quando essas bets foram liberadas sem lei. E os custos gerais de impacto na saúde chegam a 30 bilhões de reais por ano”, afirmou.

Outro ponto levantado foi a dimensão do problema entre jovens e adolescentes. O ministro citou uma pesquisa de 2023 que apontava 11 milhões de brasileiros com uso problemático das apostas e afirmou que metade dos alunos do terceiro ano do ensino médio já havia entrado nas bets.

Ao defender a proibição, Padilha também mencionou medidas adotadas pelo governo para reduzir os danos, como restrições ao uso do Bolsa Família, de cartões de crédito e à participação de menores de idade. Segundo ele, mais de 1,5 milhão de brasileiros utilizaram a plataforma de autoexclusão e 51% declararam ter perdido o controle sobre as apostas.

“Não é qualquer um que teria coragem de tomar essa medida. Ela revela o compromisso de quando se coloca a vida na frente de qualquer interesse financeiro”, declarou. O ministro lembrou ainda que o SUS oferece acolhimento psicológico para pessoas com problemas relacionados às apostas e seus familiares, com acesso pelo Meu SUS Digital. “Compartilhe esse vídeo. Ajude mais pessoas a sair desse vício”, concluiu.

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