
O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, frequentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), condena o culto à Rainha dos Céus em trechos atribuídos ao livro “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”, lançado em 2001. A posição do líder evangélico ganhou relevância na disputa política após Flávio defender que, se eleito presidente, decretará que o Brasil “é do Senhor Jesus Cristo”. Com informações do Metrópoles.
Em passagem reproduzida pelo pastor Sérgio Lourenço, Carvalho escreve: “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”. O bispo usa capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias para criticar ofertas de incenso, alimentos e libações a uma divindade feminina citada no Antigo Testamento.
Na interpretação apresentada pelo autor, habitantes de Judá atribuíram prosperidade e suprimento a essa entidade, em vez de reconhecer o Deus de Israel. Carvalho relaciona essa prática à destruição de Judá, ao exílio na Babilônia e aos castigos narrados na Bíblia.
Flávio publicou em 24 de agosto de 2026 um vídeo no qual disse que um de seus primeiros atos como presidente seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo. A declaração provocou reações de católicos nas redes sociais e levou a manifestações de religiosos ligados à Basílica de Nossa Senhora Aparecida.
O debate sobre a remoção do status de N. Sra. Aparecida data de 2007, com PL proposto pelo ex-deputado Victorio Galli; o txt foi arquivado em 2008. Há quem aponte essa fala de Flávio, dizendo que irá declarar o Brasil “como “pertencente a Jesus Cristo”, como um aceno a essa tese https://t.co/b6fJsp8et4 pic.twitter.com/wIdbjhG2i6
— Jeff Nascimento (@jnascim) September 25, 2026
Livro associa devoção à Virgem Maria a cultos pagãos
Em outra seção de “A Bomba”, intitulada “A Lenda”, JB Carvalho associa a devoção católica a Maria a cultos pagãos antigos. Ele cita uma narrativa sobre Ninrode, Semíramis e Tamuz e aproxima essa história da representação de Maria com o menino Jesus.
O bispo também sustenta, no trecho “Voltemos à História”, que celebrações dedicadas a divindades femininas teriam influenciado festas marianas e práticas devocionais católicas. Essa tese expressa a interpretação religiosa do autor e não constitui um consenso histórico.

A Igreja Católica diferencia a veneração a Nossa Senhora da adoração, que reserva exclusivamente a Deus. As passagens reproduzidas documentam a crítica de Carvalho ao que chama de culto à Rainha dos Céus, mas não comprovam como citação literal a atribuição de que todas as orações católicas dirigidas a Maria seriam recebidas por demônios.
Flávio e a mulher, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações, em Brasília, em 2024. Em 7 de dezembro de 2025, dois dias depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência, o senador escolheu a igreja para sua primeira aparição pública após o anúncio.
A ligação entre a família Bolsonaro e o bispo também chegou às visitas a Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Em 25 de novembro de 2025, Flávio levou ao pai o livro “Metanoia: A chave está em sua mente”; em 6 de janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro levou “A batalha de todas as gerações”, obra de Carvalho publicada em 2019.