Eleições no Rio: como buscamos ser úteis à luta contra o bolsonarismo?

As eleições de 2026 se encontram num cenário muito mais preocupante que 2022. A conjuntura muda a cada dia e o resultado das últimas pesquisas tem deixado todos nós aflitos: é desesperador um cenário em que a menos de 1 mês do primeiro turno existe um empate técnico entre Lula e Bolsonaro. Mais que um sinal de alerta: é uma sirene de ambulância em que o paciente que está em risco é o futuro e o presente do nosso país. Não podemos vacilar: é hora de unificar toda a esquerda e o conjunto das forças progressistas para a reeleição de Lula. A crise no STF, com André Mendonça agindo como cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro, deixa nítido que, para quem é de esquerda, não é hora de andar distraído.

Ainda que tardia, é importante a virada de chave na organização coletiva da campanha de Lula. Nada está garantido. A escassez de materiais oficiais é o aspecto mais visível da ausência, até aqui, de um comando unificado de campanha no Rio de Janeiro, de agendas organizadas com e sem a presença do Presidente, etc. Na última semana, estivemos acompanhando os novos esforços que surgiram no sentido de superar essa situação – que é fundamental para a reta final que se aproxima. Defendemos que o PSOL-RJ cumpra um papel útil, nesse sentido, e que cada um de nós, dentro de suas possibilidades, igualmente faça o que estiver ao seu alcance.

Surgiu, assim, por iniciativa da campanha de Benedita, o chamado a conformação de um comando unificado entre os partidos, em que o PSOL-RJ está representado e busca colaborar positivamente para destravar uma campanha presidencial comum em nosso estado. Há um indicativo de primeira atividade para domingo (13), além de uma plenária com a militância na próxima segunda, 14, na ABI. É preciso, portanto, fortalecer essas iniciativas, entendendo que, neste momento, vale tudo o que mobilize, unifique e organize melhor a campanha de Lula nas ruas. Nada é mais urgente que intensificar a mobilização do eleitorado de esquerda nas próximas semanas com atividades, comícios e estratégia nas redes.

No berço do bolsonarismo, vemos o estado do Rio de Janeiro com uma forte presença da extrema-direita com bandeiras e panfletos de Douglas Ruas, que segue em ascensão com seus candidatos ao senado e proporcionais. É preciso reconhecer que está crescendo a mobilização dos bolsonaristas, para melhor os combater. A posição de Eduardo Paes no cenário eleitoral já não parece tão estável, ao passo em que segue sendo um aliado pouco confiável para Lula – seja por tentar vincular o mínimo possível a sua candidatura com a do presidente, seja por apostar numa disputa a frio com Ruas, deixando largas brechas para que este ocupe um espaço político crescente. Nesse sentido, fortalecer a campanha de William Siri é fortalecer a campanha de Lula no Rio.

a política do PSOL é nítida: nos hierarquizamos pelo combate à extrema-direita e temos a plena convicção de que é hora de unidade e mobilização, por isso não vacilamos em defender o voto em Benedita.

No que se refere à esquerda, a eleição de Benedita da Silva para o senado não está garantida. Vemos com preocupação a atitude de setores aliados ao PSD que, no discurso, dizem que estão com Lula e Benedita mas, na prática, além de esconder esse compromisso, também vemos, em vários de seus materiais de campanha, esses setores chamado voto para Flávio Bolsonaro e deixando em branco o 2º voto para o senado. Nesse terreno, a política do PSOL é nítida: nos hierarquizamos pelo combate à extrema-direita e temos a plena convicção de que é hora de unidade e mobilização, por isso não vacilamos em defender o voto em Benedita.

Dentre as eleições majoritárias, é no âmbito precisamente do Senado, com a campanha de Monica Benicio, em parceria ativa com Benedita, que o PSOL está melhor localizado para ter maior audiência e poder cumprir um bom papel. Lutamos pela eleição de Benedita com convicção porque a vaga no Senado Federal, que em outros tempos passava quase que lateralmente na disputa eleitoral, nunca foi tão central quanto neste ano: a extrema-direita quer formar maioria no Senado para acelerar sua sanha golpista contra o STF, com o objetivo claro de tomada da presidência, governos estaduais, assembleias legislativas e todo o congresso nacional para seu projeto autoritário, conservador, antipovo, dos herdeiros da Casa Grande.

A campanha de Monica Benicio ao Senado atende, assim, a uma política consequente, que não titubeou nos momentos mais críticos da conjuntura. Uma candidata que visitou o nosso presidente Lula quando foi preso injustamente pela operação Lava-Jato, e que faz parte de um partido que já demonstrou a sua responsabilidade de servir como um instrumento útil na luta contra a extrema-direita.

Saudamos as organizações do PT como a Democracia Socialista (DS) e a Articulação de Esquerda (AE), o PSB e sua juventude, e os movimentos como o MST, o Levante Popular da Juventude e a Kizomba, que estão conosco nessa tarefa de construir a candidatura de Monica Benicio e Benedita da Silva, e deixamos aqui o convite a todas as organizações que quiserem construir essa campanha e  iniciativas unitárias de mobilização. Uma delas acontecerá no dia 17 de setembro: o encontro de juventudes com Lula, Bené e Benicio na próxima quinta-feira, com uma caminhada da Cinelândia até a ocupação do Movimento dos Camelôs (MUCA) em que faremos um evento para coesionar essa unidade das juventudes e empolgar os ativistas que querem fazer campanha. É preciso acolher, dar espaço e liberdade de iniciativa a essas organizações que convergem com o PSOL ao defender a eleição de duas mulheres ao Senado, com uma pauta de esquerda e combativa.

O voto em Pedro Paulo pode tirar a vaga de Benedita. Não confundimos jamais quem são nossos principais inimigos. Mas deixamos um alerta: como confiar que essa candidatura não hesitará frente um possível impeachment do STF, quando já demonstrou a sua “confiabilidade” no passado quando votou  favorável ao golpe da ex-presidenta Dilma? Em todo caso, assim como Monica tem demonstrado tão corretamente, é preciso que essa necessária delimitação à esquerda, assim como em relação a Eduardo Paes na eleição ao governo, seja exercitada sempre subordinada nitidamente ao combate frontal aos candidatos bolsonaristas. Esse é o coração do combate, devendo ser preservado sem ambiguidades.

Neste momento, em que a luta se acirra, boas são as táticas que apostam na mobilização e na unidade em torno a Lula e contra o bolsonarismo. Nunca o sectarismo e a autoproclamação foram tão indesejáveis. O PSOL só tem a ganhar e se fortalecer cumprindo um papel útil à toda a esquerda e ao povo trabalhador. Nas horas difíceis, interesses particulares e eleitoralistas da pequena política não podem realmente nos levar a vitórias, em nenhum sentido.

Neste momento, em que a luta se acirra, boas são as táticas que apostam na mobilização e na unidade em torno a Lula e contra o bolsonarismo. Nunca o sectarismo e a autoproclamação foram tão indesejáveis. O PSOL só tem a ganhar e se fortalecer cumprindo um papel útil à toda a esquerda e ao povo trabalhador. Nas horas difíceis, interesses particulares e eleitoralistas da pequena política não podem realmente nos levar a vitórias, em nenhum sentido.

A hora é agora: precisamos de todo mundo: organizações, partidos, movimentos sociais e ativistas com o objetivo comum de fazer nosso presidente Lula reeleito, eleger Benedita e Monica Benicio ao Senado e derrotar a extrema-direita e seu projeto golpista.

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